quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Suffocation - "... Of The Dark Light" (2017)

Nuclear Blast Records

Mundo Metal [ Lançamento ]



A espera para os fãs foi um tanto grande, pois já faz quatro anos desde o último lançamento - o excelente “Pinnacle Of The Bedlam” (2013) - mas terminou este ano e o público se empolgou com a notícia divulgada: o Suffocation estava retornando com uma nova pedra filosofal do décimo oitavo portão do inferno, "... Of The Dark Light". Com quase 30 anos de estrada, os novaiorquinos de Long Island surgem com mais um petardo para os amantes da música extrema, repleto de técnica e riffs que conseguem se encaixar de forma magistral. Desde seu início no longínquo ano de 1989, a horda americana nunca descansou e sempre nos presenteou com várias marretadas de qualidade, sem perder qualquer noção de identidade e capacidade musical e de inspiração para compor. E, mais uma vez, eles estão de volta com um disco que vai ampliar a coleção dos famintos por Metal extremo e Death Metal em geral. Sua fusão de técnica, Groove e pura brutalidade implacável foram inspiradoras para muitas outras bandas, o que ampliou e diversificou o estilo; "Effigy Of The Forgotten" (1991) esta aí até hoje para provar isso.

Como toda grande banda, o Suffocation também detém uma lista de integrantes que passaram por ela com alguns retornos e pausas. Mesmo assim, o conjunto jamais perdeu seu rumo e continuou a mostrar qualidade álbum após álbum, com uns seguindo mais a linha tradicional do estilo e outros explorando mais o lado Groove da coisa, mas sempre mantendo sua real forma de tocar e sem desapontar seus fãs. Obviamente, porém, seus clássicos continuam intactos e dificilmente serão superados ou  igualados.

Desde sua reformulação em meados de 2002, o Suffocation voltou a seguir seu caminho destilando todo seu arsenal renovado e com muito mais vigor e vontade de destruir caixas de som e tímpanos sensíveis ao meio. Sim, eles estavam de volta e seguiram até os dias de hoje, quando em 2008 assinaram com a Nuclear Blast Records e continuaram seu caminho pelas labaredas infernais da música insana e voraz. Em 2012, o Suffocation lançou seu penúltimo álbum, "Pinnacle Of Bedlam" - o qual marcou o retorno do baterista Dave Culross, que havia tocado no EP “Despise the Sun” (1998), mas que deixou novamente o grupo após 2014. Apesar do curto tempo em sua nova passagem pela banda, contudo, Culross deixou novamente uma marca bastante positiva, contribuindo para a qualidade tradicional das baquetas sufocadoras de vias aéreas frágeis.


Agora, então, contando com o baterista Eric Morotti (Killitorous, ex-Epocholypse, Blind Witness), lançam o tão aguardado disco em que o guitarrista e líder da banda, Terrance Hoobs, chegou a comentar que era um momento muito aguardado por eles. Durante os últimos quatro anos o Suffocation havia se concentrado em compor este disco e não poderiam estar mais orgulhosos, e que de fato se tratava do disco mais brutal dos americanos até então. "...Of The Dark Light" foi produzido pela própria banda sob a supervisão de Joe Cincotta (Obituary) e gravado no Full Force Studios. A mixagem e masterização ficaram por conta do renomado produtor/engenheiro de som Chris "Zeuss" Harris (Hatebreed, Arsis, Suicide Silence), enquanto a arte da capa foi criada por Colin Marks (Origin, Fleshgod Apocalypse, Kataklysm).

Com uma ilustração bastante enobrecida, a expectativa que se fez presente foi a de que seria um disco arrebatador de tropas invasoras sem prévio aviso. Eis que a vitrola é ligada e...que susto! O volume estava alto e não havia percebido antes! Eu até diria para tirarem as crianças da sala, mas as crianças de hoje estão muito frescurentas e precisam aprender o que é bom para se ouvir, então é melhor deixar. Estou falando da faixa de abertura, “Clarity Through Deprivation”, que já inicia espancando os falantes sem dó e nenhuma piedade. Os cavernosos riffs seguem de vento em popa tombando embarcações com seu maremoto sonoro com várias quebras e mudanças de ritmo formidáveis. Os vocais guturais de Frank Mullen estão perfeitos, trazendo toda a agressividade que a vertente pede. Os blast beats são realmente intensos e mantêm a bateria completamente apocalíptica com diversas mudanças de andamento; características imprescindíveis em um som técnico e qualificado. Antecedendo o solo há uma exibição musical de primeira linha junto aos breakdowns, o que se segue até o final. Em seguida já avistamos outro míssil explodindo a caixa, onde Eric Morotti inicia causando fendas no fundo do mar com seus pedais duplos super potentes: o nome da dona dessa extinção em massa é “The Warmth Within the Dark”, e vemos que o tempo passa rápido conforme os riffs se encaixam hipnotizando o ouvinte, o fazendo querer derrubar sua própria casa apenas com as mãos! Ilusão isso? Não quando se ouve Suffocation! Há aqui uma sequência mais cadenciada, onde peso e técnica seguem intactos, mostrando que esse realmente é um dos discos mais pesados dos caras.

Passamos para a terceira faixa, “Your Last Breaths”, e o que vemos é uma quebra de ritmos ainda maior, como se a dona morte saísse por aí girando sua foice como um bastão de Kung Fu açoitando qualquer um sem saber de quem se trata. Destaque aqui para as corridas incitantes das guitarras com solos dignos de entoarem no próprio vale das sombras.  Esta é uma música mais cadenciada e impositora se comparada com as anteriores. E sem muito tempo para respirar, surge ecoando das profundezas do inferno “Return to the Abyss”, faixa que recebeu um lyric video para a divulgação do disco (o que posso dizer é que escolheram a faixa certa como divulgação). “Nem todos nós nascemos iguais predeterminados a subir ou cair” é apenas o início do que se encontra aqui. Quem ama as variações do Death Metal com certeza irá gostar desta faixa,  repleta de riffs variados e solos ultra velozes de Terrance Hobbs e Charles Errigo, como se se o cramunhão estivesse dirigindo uma carreta sem freio e na contramão.


A ideia é não deixar o barulho infernal parar, então não é à toa que “The Violation” começa devastando tudo e jogando seu vizinho chato para outro quarteirão, tamanha a porradaria certeira e nocauteadora de ouvidos sensíveis e desacostumados com os urros vindos do além. Trata-se de uma faixa incineradora de lares ortodoxos com todas as nuances pretendidas em um som típico, enquanto o baixo de Derek Boyer segue mantendo o alicerce firme. Sem descansar, já temos em seguida a faixa título, outra música de destaque que lembra o som de duas bandas: Kreator e Immolation. A primeira mais por conta do nome lembrar o clássico EP ‘Out of the Dark...Into the Light’ (1988), e a segunda por seu andamento e destaque maior para o baixo - lúgubre e bastante denso - de Boyer.

“Some Things Should Be Left Alone” é a faixa seguinte e logo de cara mostra que “algumas coisas devem ser deixadas sozinhas”, ou seja, a pancadaria está à solta, sozinha, desenfreada, e continua mantendo o padrão de qualidade do disco. A penúltima canção se inicia e mal percebemos que o álbum está no fim, com um ar de “fim dos dias” exalado pelos falantes até aqui. “Caught Between Two Worlds” chega quebrando pescoços e dorsais aos montes, sem trégua. Como um elefante desgarrado, os instrumentos vão deixando seu rastro de putrefação e escuridão com riffs, contratempos, pontes e mais riffs, além de solos capazes de introduzir o ouvinte ao sacrifício sumário, desabando prédios, desintegrando porta-aviões e encouraçados! Não à toa dizem que tudo que é bom dura pouco, ou quase tudo. E em se tratando de Death Metal, porém, costuma ser assim.

Enfim, chega a parte ruim do disco: a última. Nem parece que já tocaram todas as músicas e você, caro leitor, perceberá que o tempo passou depressa mesmo com toda atenção em cada acorde, em cada harmônico, dissonância e equilíbrio de cada instrumento, cada virada de bateria e tremular do baixo. Eis que “Epitaph of the Credulous” dá as caras e segue com o linchamento de acéfalos pelo planeta afora. Com pura agressividade, técnica, feeling e mente aberta para inserir vários ingredientes dentro de um contexto musical sem descaracterizar seu trabalho, o Suffocation nos entrega uma verdadeira pepita digna de aplausos de quem é adepto da vertente e surpresa por quem não é, ou não consome nada do estilo. Ouça sem moderação alguma!

Nota:  9,1

Formação:

Frank Mullen (vocal)
Terrance Hobbs (guitarra)
Charles Errigo (guitarra)
Derek Boyer (baixo)
Eric Morotti (bateria)

Faixas:

01. Clarity Through Deprivation
02. The Warmth Within the Dark
03. Your Last Breaths
04. Return to the Abyss
05. The Violation
06. Of the Dark Light
07. Some Things Should Be Left Alone
08. Caught Between Two Worlds
09. Epitaph of the Credulous

Redigido por Stephan Giuliano

God Dethroned - "The World Ablaze" (2017)

Metal Blade Records

Mundo Metal [ Lançamento ] 



Você não odeia quando uma banda é tão consistente, os membros são tão bons como músicos e os álbuns são tão fodidos, que raramente temos algo de ruim pra meter o malho? Não? Bem, eu odeio, porque isso não é divertido pra competição e pros fãs em geral, e eu me alimento de álbuns horrendos e podres porque eles me fazem ser um resenhista melhor - e mais odiado. God Dethroned, aquele quinteto pútrido e irritante dos Países Baixos, se dissolveu depois de 'Under the Sign of the Cross', em 2012, e organizou uma reunião em 2014 para tocar uma quantidade seleta de shows nas terras estupradas por corrupção, sodomia e putas de Instagram (a qual chamamos “Planeta Terra”) - e pelo mar também, já que os caras se apresentaram no cruzeiro mais demoníaco do mundo, 70k Tons of Metal, que foi, adivinhem? Sim, foda pra caralho; que sem graça - mas não mostraram nenhuma promessa de lançar um novo play, até o final de 2016. Então, quando finalmente acenaram o lançamento de um novo trabalho, eu pensei: "ok, esses putos vão gravar um novo CD; agora vou conseguir falar merda e destruir eles. Não tem como uma banda voltar tão rápido assim ao topo de sua forma, depois de encerrarem completamente suas atividades e perder pelo menos alguma alegria de tocar música, certo?” 

Então, veja bem, eu estava bem animado pra dizer algumas palavras sobre ‘The World Ablaze’, décimo álbum de estúdio do sempre competente Henri Sattler (guitarra, vocal) e seus ajudantes Michiel van der Plicht (bateria, Apophis), Jeroen Pomper (baixo, ex-Absorbed), e Mike Ferguson (guitarras, Detonation, ex Picture), porque eu finalmente me vingaria dos outros nove plays desses arrombados impossíveis de tacar o pau por serem tão destruidores. O álbum começa com "A Call to Arms", uma introdução lenta com uma atmosfera assassina e um simples mas tocante solo de guitarra apresentando o que estava por vir. E então "Annihilation Crusade" começa com uma manada de riffs clássicos do God Dethroned. A atmosfera visceral, a porradaria brutal e técnica, as linhas de baixo comendo os ouvidos...estava tudo lá, arruinando minhas esperanças de esse ser finalmente o álbum ruim da carreira do God Dethroned; não poderia ser...não, não! Me acalmei e escutei o álbum inteiro pela primeira vez - pulsos cortados, lágrimas salgadas caindo da minha bochecha - esperando por uma colisão, um erro de produção ou masterização, uma nota fora de tom...nada. Não foi antes da quarta vez me torturando com a intenção sádica de falar mal da lenda do Death/Black holandês que eu percebi que essa era uma batalha perdida. O God Dethroned estava de volta, e eles estavam obliterando os inimigos com ferocidade, brutalidade e “foderosidade” na forma de música.


'The World Ablaze' resgata muito bem o que seu antecessor (‘Under the Sign of the Iron Cross’) fez e o executa com competência. As linhas mais melódicas e a atmosfera exótica estão presentes em músicas como "On the Wrong Side of the Wire" e "The 11th Hour", enquanto a brutalidade e a pompa podem ser vistas nas faixas mais venenosas como "Close to Victory", “Messina Rage" e "Breathing Through Blood"; essa última mais cadenciada e pesada, quase que Doom, com um riff em escala maravilhoso. Os grunhidos de Sattler soam viris como sempre e a sintonia das guitarras relembra um pouco da banda na era ‘Ravenous’, injetando uma boa quantidade de distorção e trabalho de pedal. A cozinha suporta lindamente a rifferama, com van der Plicht roubando o show batendo nas peles e pratos com a raiva de mil cornos que acabaram de descobrir suas mulheres com outro cara. Passagens mais densas também fazem aparições aqui: "Königsberg" e "Escape Across the Ice (The White Army)" cuidam dessas emoções contando a história triste do Exército Branco, uma confederação de forças anticomunistas que lutou contra os bolcheviques na Guerra Civil Russa; bem daora. As letras, aliás, não são lá peças de arte Shakespearianas, mas conseguem cumprir bem seu objetivo. A mixagem também é ponto positivo, com o lendário Dan Swanö fazendo um puta trabalho e entregando um álbum mais singular e de personalidade através de sua visão única, o que é chover no molhado, já que estamos falando de um verdadeiro Rei Midas da produção.


Como Swanö disse com sabedoria: "Este álbum é uma ótima combinação de todos os tipos de tempos e estilos que o gênero tem para oferecer, cada um executado com perfeição esmagadora, refrões cativantes e ganchos melódicos memoráveis! Ele vai cair bem entre os fãs de Bolt Thrower." Então, é isso aí; ‘The World Ablaze’ é um retorno estelar da banda que nunca deveria ter encerrado suas atividades. O fato de o álbum não ter pontos fracos me deixou com raiva pra caralho, porque eu estava pronto e disposto a ser um dos primeiros seres humanos a colocar a carreira animalesca do God Dethroned em cheque. Em vez disso, o que eu encontrei foi uma pérola Death cuidadosamente trabalhada, que deve ser ouvida por todos os fãs do gênero. Não é tão visceral como ‘The Christhunt’ ou tão prolífico como 'The Toxic Touch', mas definitivamente já figura na prateleira de cima de lançamentos dos guerreiros holandeses. Infelizmente, porém, vou ter que esperar que a próxima banda matadora solte seu ‘Virtual XI’ ou ‘Risk’ da vida pra que eu possa alimentar minha necessidade sociopática de apontar o catastrófico. Maldito seja, God Dethroned.

Nota: 8.5

*Nota do site The Metal Club: 8.20

Formação:

Henri Sattler (guitarra e vocal)
Michiel Van Der Plicht (bateria)
Jeroen Pomper (baixo)
Mike Ferguson (guitarra)

Faixas:

1. A Call to Arms 
2. Annihilation Crusade 
3. The World Ablaze 
4. On the Wrong Side of the Wire 
5. Close to Victory 
6. Königsberg 
7. Escape Across the Ice (The White Army) 
8. Breathing Through Blood 
9. Messina Ridge 
10. The 11th Hour 

Redigido por Bruno Medeiros

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Suicidal Tendencies - "Join The Army" (1987)

Mundo Metal [Discos Trintões]



Quatro anos após o lançamento do álbum de estreia da banda, o Suicidal Tendencies retorna com um trabalho igualmente fantástico. Lançado em 09 de junho de 1987, através do selo Caroline Records, “Join The Army” marca a saída do guitarrista Grant Estes, que é substituído por Rocky George, músico extremamente emblemático na carreira da banda e que executa solos ainda mais trabalhados e técnicos, além da troca do baterista Amery Smith para R.J. Herrera, que também proporciona uma nova pegada para o grupo. A banda, que até então executava um som voltado para o Hardcore Punk, inseriu elementos de Thrash Metal, resultando na sonoridade Crossover Thrash que emergia naquele período.

Os riffs de Rocky George abrem a ótima faixa de abertura “Suicidal Maniac”. De cara, já é perceptível que o trabalho instrumental está mais complexo e maduro. Bateria muito bem encaixada e executada, palhetadas destruidoras e um vocal simples, porém carismático e eficiente fazem desse som um verdadeiro clássico da banda e do Crossover como um todo. A segunda faixa é a cadenciada “Join The Army”. A canção incorpora arranjos mais “funkeados”, remetendo aos primórdios do Red Hot Chili Peppers, além de bandas como Mordred e Scatterbrain. Aqui nós temos um “groove” muito envolvente na maior parte da composição, contudo temos também um trecho rápido e agressivo no meio da canção. Outro grande destaque do álbum.

“You Got, I Want” também possui um groove matador e conta com variações rítmicas fantásticas. Na sequência, temos “A Little Each Day”, que também é um dos grandes momentos do álbum. A “cozinha” encabeçada pelo baixista Louiche Mayorga e pelo baterista R.J. Herrera é fenomenal e precisa, enquanto a guitarra de Rocky George é um espetáculo a parte. A quinta faixa é “The Prisoner”, uma faixa mais rápida, apresentando uma melodia envolvente, acompanhada por riffs poderosos e um ótimo solo de guitarra. Em seguida, somos pegos de surpresa por nada mais nada menos que “War Inside My Head”! Essa faixa dispensa apresentações. Um dos maiores clássicos do Suicidal Tendencies, com seus riffs e passagens marcantes, além de seu refrão grudento e poderoso. Um hino obrigatório nos shows da banda!


O disco dá continuidade com “I Feel Your Pain”, que é outro grande destaque do álbum. O trabalho de guitarra é impecável e repleto de feeling, o vocal é brilhantemente raivoso e seu refrão é intenso e viciante. Outra das melhores do álbum! “Human Guinea Pig” é outro faixa marcante no álbum, com grandes riffs, bateria furiosa e um belo solo de guitarra. Vale lembrar que essa música não está presente na versão em LP e em fita cassete, apenas na versão em CD, como faixa bônus. Eis que é a vez de outro grande clássico da carreira da banda dar as caras! “Possessed To Skate” é uma faixa divertidíssima! Sua letra marcante e o seu trabalho instrumental irrepreensível fazem dessa canção uma das muitas da história da música pesada mundial que já nasceu um clássico.

A décima faixa desse registro é “No Name, No Words”. Mais uma vez a banda executa tudo com precisão e eficiência. Bons riffs e um trabalho portentoso da “cozinha”. Abrindo de forma progressiva e logo ganhando um ritmo veloz, “Born to Be Cyco” é uma grande faixa para “banguear” e “moshar” sem parar. Uma das muitas composições da banda que consegue transmitir o que o Suicidal Tendencies realmente é! “Two Wrongs Don’t Make A Right (But They Make Me Feel A Whole Lot Better)” é a penúltima faixa e mantém o ritmo insano e agitado das faixas anteriores, apresentando mudanças interessantes de andamento. O final do disco fica reservado para a faixa “Looking In Your Eyes”, que tem um “riff” bastante animado, ótimas linhas de bateria, um solo de guitarra com bastante feeling, marcação de baixo precisa e os vocais de Mike Muir que casam perfeitamente com o instrumental.

Quem acompanha a banda sabe que o Suicidal Tendencies já se aventurou por diversos terrenos musicais, mas um fato é que a banda tem uma contribuição muito significativa tanto para a cena Hardcore Punk como para o Metal, tendo lançado grandes álbuns ao longo dos anos. Possuindo uma legião de fãs e admiradores realmente invejável, é mais uma daquelas bandas que torcemos para que continue na ativa, sempre nos presenteando com novos trabalhos. Em tempo, “Join the Army” é um item obrigatório a todos os apreciadores de Hardcore Punk e Crossover Thrash!

SUICIDAL FOR LIFE!!!

♫ War inside my head-can you sense it
War inside my head-can you see it
War inside my head-can you feel it
War inside my head
Can you hear the-pain
Can you see the-pain
Can you sense the-pain
Can you feel the-pain
Can you help the-pain
Can you fix the-pain
Can you hear the war inside my head ♫

Formação:

Mike Muir (vocal);
Rocky George (guitarra);
Louiche Mayorga (baixo);
R.J. Herrera (bateria).

Faixas:

1. Suicidal Maniac
2. Join The Army
3. You Got, I Want
4. A Little Each Day
5. The Prisoner
6. Was Inside My Head
7. I Feel Your Pain (Bonus Track)
8. Human Guinea Pig (Bonus Track)
9. Possessed To Skate
10. No Name, No Words
11. Born To Be Cyco
12. Two Wrongs Don’t Make A Right (But They Make Me Feel A Whole Lot Better)
13. Looking In Your Eyes

Redigido por David "Fanfarrão" Torres

Steel Panther - "Lower the Bar" (2017)

Open E Music

Mundo Metal [Lançamento]



Houve um tempo em que as bandas do chamado“Glam Metal”dominavam o cenário da música, não somente no mainstream, mas também no underground - acredite, apesar de muitas terem buscado emplacar nas paradas, essas mesmas ficaram soterradas no esquecimento, e a lista é grande – isso aconteceu da segunda metade da década de 80 até meados da década de 90. Com o passar dos anos o estilo foi perdendo força, mas sempre existiram bandas aqui e ali nos brindando com obras dignas. No início do novo século, a Suécia mais uma vez, resolveu entrar na jogada e revelar uma grande quantidade de bandas do estilo ao mundo e isso serviu de exemplo para que outros locais pudessem apresentar ao mundo seus representantes. Os americanos do Steel Panther entraram em cena de forma chamativa não apenas no visual espalhafatoso, típico do Glam, mas com um conteúdo lírico que é tudo que o PMRC detestaria encontrar na época em que estava em atividade. E pra quem só conhece a banda pelas polêmicas ligadas ao seu “senso de humor”,se assusta com a seriedade em que a parte musical é construída, afinal músicos como Michael Starr, Russ Parish, Lexxi Foxxx e Stix Zadinia são dotados de técnica e senso de composição indiscutível e a prova está em álbuns como “Hole Patrol”(2003), “Feel The Steel”(2009), “Balls Out”(2011), “All You Can It”(2014) e é claro o mais recente álbum de inéditas, “Lower The Bar”.


Lançado no final de março, com a produção a cargo de Jay Ruston, “Lower The Bar” já começa com tudo aquilo que o fã está acostumado, ou seja, aquele hard rock despojado, festeiro e direto. “Goin´ In The Backdoor” e “ Anithing Goes” abrem ao melhor estilo Van Halen, principalmente por parte de Michael, dono de um timbre que em alguns momentos se assemelha ao de David Lee Roth. “Poontang Boomerang” é outra faixa que se destaca e traz aquela linha “grooveada” mais voltada ao que muitas bandas faziam no início dos anos 90. Outras merecedoras de menção são “That's When You Come In”, uma balada pop que é mais ou menos aquilo que o Bon Jovi tenta fazer hoje em dia e erra feio, a safadinha “Pussy Ain't Free”(o título já diz tudo), “Wasted Too Much Time” com um “q” de Aerosmith e dona de um riff principal mais do que grudento, daqueles em que o ouvinte fica cantarolando, e finalmente “I Got Wath You Want”, composição de estrutura oitentista, carregada de emoção e que certamente se tornará presença no set list da banda, a melhor do play! 

A edição especial ainda trás dois bônus, daqueles que é impossível não parar tudo o que estiver fazendo para prestar a atenção. “Red Headed Step Child”, com um clima a lá Led Zeppelin e se o ouvinte for mais atento, também perceberá algo de Whitesnake. Já o segundo é a bela “Momentary Epiphany”, regida a belos arranjos de piano e leves orquestrações, fugindo totalmente da imagem de putaria que a banda transmite.


“Lower The Bar” pode não soar revolucionário ou coisa do tipo, aliás, a banda nunca quis “reinventar a roda”, porém, quanto mais conheço os trabalhos do Steel Panther, tenho a certeza de que são acima de qualquer coisa, músicos de altíssimo nível, que por mais que sejam lembrados pelas sátiras em suas letras e pela postura visual, a música sempre falará mais alto. 

Nota: 8

*Nota do site The Metal Club: 7.62

Formação:

Michael Star (vocal)
Russ Parish (guitarra)
Lexxi Foxxx (baixo)
Stix Zadinia (bateria)

Faixas:

1 - Goin' in the Backdoor 
2 - Anything Goes 
3 - Poontang Boomerang 
4 - That's When You Come In 
5 - Wrong Side of the Tracks (Out in Beverlly Hills)  
6 - Now the Fun Starts 
7 - Pussy Ain't Free 
8 - Wasted Too Much Time 
9 - I Got Wath You Want 
10 - Walk of Shame 
11 - She's Tight 
12 - Red Headed Step Child (Bonus Track)  
13 - Momentary Epiphany (Bonus Track)

Redigido por Elton Justo

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Skulled​ - "Eat Thrash" (2017)

Independente

Mundo Metal [ Lançamento ]



Contrariando o que diversos fãs puristas imaginam ou dizem, o movimento Neo Thrash jamais teve o pedantismo de substituir os grandes ícones do estilo, e sim o de prestar homenagem e dar continuidade a uma das vertentes mais populares do Heavy Metal. Por tanto, vamos parar de compara-lo com nossos "heróis" do passado de uma vez por todas! Pois o legado, a importância e a influência dos mesmos, estão eternizados e imortalizados, em toda sua resplandecência, sob a forma de álbuns antológicos.

Não adianta também reclamar da falta de "inovação", quase tudo dentro do estilo já foi devidamente explorado, a maioria absoluta das bandas da nova geração, apenas recicla o que foi feito há quase 40 anos, o que não é demérito algum, combinando para isso elementos tradicionais do Thrash Metal oitentista com elementos contemporâneos.

Este é o conceito de banda que pode ser encontrado nas fileiras da tropa teutônica do Skulled de Bremen. 
A combinação fundada em 2008 se utiliza exatamente dos mesmos artifícios do passado, acrescido, aqui e ali, de atitudes punks turbulentas. 
O resultado dessa combinação? Um Thrash de alta octanagem, viciosamente divertido, furioso, rápido e selvagem, um verdadeiro açoite frenético e incansável. 

"Eat Thrash" segundo registro desencadeado pelos germânicos é o tipo de álbum que literalmente dispara uma bala de prata através de seu crânio. Quero dizer, Skulled parece saber muito bem o que faz, sem fazer perguntas, oferecendo de forma intransigente um festival de riffs, que reverberam por todos os lados, tão agressivos e divertidos quanto viciantes, uma verdadeira sinfonia tóxica, impossível não banguear. 

Esse novo trabalho, auto produzido, nos oferece uma quantidade generosa e crocante da velha escola Thrash, mas em desacordo com suas raízes teutônicas, sua sonoridade possui um forte sabor Bay Area, uma verdadeira colcha de retalhos frankensteiniana composta por Metallica, Anthrax, Slayer, Vio-Lence, Death Angel, dentre outros, em seus dias glória, não deixando nenhuma fuga para o ouvinte. 

A ilustração da capa, criada pelo bielorrusso radicado nos EUA, Andrei Bouzikov (Violator, Vektor, Toxic Holocaust, Municipal Waste, Bio-Cancer, Nervosa, etc.), mostra uma mão fantasmagórica preparando-se para puxar o gatilho de uma arma escondida em certo tipo de sanduíche, imagem essa mais que apropriada.

Os "duelos" entre as guitarras de Olli e Janes são caóticos e empolgantes, contendo solos e riffs cativantes e infernalmente divertidos. O baixo de Lenz não é apenas audível, mas pesadamente ensurdecedor e maravilhosamente profundo. A bateria de Tim é precisa, rápida e frenética utilizando-se de uma amálgama de ritmos impiedosos, explorando inexoravelmente seu kit. Os vocais de Nordic são agressivos, ásperos e urgentes e em certos momentos melodiosos, soam como um excêntrico e improvável híbrido de Chuck Billy e Dave Mustaine.


Liricamente, não espere nada sobre temas complexos, o contexto politico social recorrente às diversas bandas de Thrash passa bem longe desse registro, o que se ouve são temas relacionados ao estilo. 

A faixa de abertura "Death, Destruction" serve como um pressagio ao que está por vir, um Thrash rasteiro e violento, desfilando coros polifônicos ameaçadores, uma constância na totalidade do registro, no melhor estilo oitentista. 

Uma introdução melodiosa anuncia a faixa título, "Eat Thrash", seguida de um riff assassino e explosivo tal como uma bomba de nêutrons, dilacerando tímpanos desavisados, um verdadeiro hino do Thrash moderno em potencial.

"Riot Of The Rats" inicia-se com uma introdução melodiosa, mas dessa vez acústica, seguida de uma detonação rítmica fulminante e um riff infernalmente tóxico. 

"Guts On Wheels" possui uma pegada mais cadenciada aonde nota-se claramente nos vocais de Nordic a influencia do front man do Megadeth.
O fato curioso, é que o riff principal da canção remete estranhamente ao de "Bulls On Parade" do Rage Against The Machine. 

"Shell Shock" a faixa mais longa da bolacha, Thrash cadenciado com riffs cremosos e espumantes muito bem concebidos, oferecendo uma enorme variedade de ritmos e alternâncias, deixando clara a capacidade inventiva da banda. 

"Kate Mosh" seria uma "homenagem" a um dos ícones da beleza, Kate Moss? Denota-se nessa faixa a face bem humorada de seus integrantes, a canção possui aquela pegada moshing old school divertidíssima. 

"Revengeance" faixa que remete as bandas NYHC, introdução pulsante e poderosa de baixo, o qual segue implacavelmente e de forma vigorosa durante toda a canção, aliado a riffs pesadíssimos e arrastados. 

"Protect & Sever" riffs cavalgados e hipnotizantes, rugem selvagemente a todo o instante, os solos abusam de dissonâncias evidenciando a influência velada de Slayer em sua melhor forma. 

"R.A.W."  riffs intensos zumbindo incessantemente, aliados a um solo dissonante cortante, agindo como se fosse uma motosserra abrindo seu crânio.

"Satan In My Drink" faixa que encerra o registro de forma mais que satisfatória, riffs viciosamente deliciosos e frenéticos, com direito a um interlúdio infeccioso. 

"Eat Thrash" é um registro brilhantemente executado, exibindo uma seção rítmica totalmente assoberbante, riffs maciçamente fascinantes, uma harmonia soberbamente trabalhada e um vocal incrivelmente proficiente.
O poder, o intelecto e a imaginação central do Thrash Metal clássico oitentista associado em perfeita harmonia à sensibilidade contemporânea.

♫ Now Eat Thrash... 
Yes, that mother-fuckin' Thrash!! ♫

Nota: 8,0

*Nota do site The Metal Club: 8.16

Formação: 

Tim Dasenbrock (bateria)
Oliver "Olli" Ralle (guitarra)
Lennart "Lenz" Ebbers (baixo)
Jan "Nordic" Hölscher  (vocal)
Jannes Stoll (guitarra)

Faixas:

01. Death, Destruction
02. Eat Thrash
03. Riot Of The Rats
04. Guts On Wheels
05. Shell Shock
06. Kate Mosh
07. Revengeance
08. Protect & Sever
09. R.A.W.
10. Satan In My Drink

Redigido por Claudio Santos 

*A nota do site é sujeita a modificações de acordo com as avaliações dos seus usuários. 
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Firespawn - "The Reprobate" (2017)

Century Media

Mundo Metal [ Lançamento ]



Formado em 2012 sob o nome original de Fireborn, o Firespawn é um “supergrupo” de Death Metal sueco e “The Reprobate” é o segundo disco da carreira da banda, sucessor do debut “Shadow Realms” (2015).

Atualmente o termo “supergrupo” foi um tanto quanto banalizado, entretanto essa é a única descrição possível para o Firespawn. O baixista é Alex Friberg (Necrophobic), os guitarristas são Victor Brandt (Entombed AD) e Fredrik Folkare (Unleashed, ex-Necrophobic). No comando das baquetas fica Matte Modin (Sarcasm, ex-Dark Funeral, ex-Defleshed, ex-Infernal) e o frontman é ninguém menos que o lendário vocalista L-G Petrov (Entombed, ex-Nihilist, ex-Morbid). É ou não uma formação estelar para os padrões do Death Metal?

Devido ao cacife dos integrantes, é mais do que normal que se criasse uma enorme expectativa referente aos trabalhos que poderiam ser desenvolvidos e, para aumentar ainda mais tal sentimento, o primeiro disco não foi totalmente convincente. Dois anos mais tarde, “The Reprobate” mostra que a banda voltou melhor e mais encorpada, porém nem tudo são flores.


Como era de se esperar, na sonoridade do Firespawnn é notório o uso de muitos ingredientes utilizados por Entombed A.D. e Entombed. assim como fica evidente as influencias de outras bandas como Amon Amarth e Behemoth, ou seja, esse é um álbum que conta com esporádicas variações melódicas nas musicas, bem como alguns toques de Death Metal progressivo. 
Nada muito diferente do que o Firespawn já havia apresentado anteriormente, mas dessa vez, a grande sacada foi tentar ao máximo não sacrificar a brutalidade em detrimento a demonstrações de técnica e virtuose exacerbada. Conseguem isso em partes.

Outro aspecto que melhorou muito a avaliação foi a quantidade de faixas realmente relevantes, o disco está repleto daquelas canções que dão vontade de ouvir mais vezes. Sem duvidas, “The Reprobate” proporciona uma audição muito mais empolgante que o seu antecessor, mas se a banda melhorou em alguns aspectos, em outros ainda continua a repetir alguns erros, um deles é que mesmo tentando ser mais brutal, ainda falta um pouco de agressividade, parece que os suecos se esqueceram que o Death Metal é um estilo extremamente pesado, rápido e agressivo.

Isso sem contar o principal e mais grave erro, em “The Reprobate” fica evidente não a falta de criatividade, mas o uso moderado dela, não que seus músicos não sejam criativos ou não tenham capacidade para o ser, é que a meu ver, toda a criatividade do estrelado line-up se concentrou em suas bandas principais, fazendo com que algumas composições apresentem um festival de riffs repetitivos que fazem o álbum parecer maior do que realmente é. Em suma, o disco alterna bons momentos com algumas faixas sem sal e que dão a impressão de serem iguais as anteriores.


Os pontos altos do álbum são as excelentes “Serpent Of The Ocean”, “Full Of Hate”, “The Reprobate” e “General's Creed”, esta ultima, é facilmente a melhor do álbum devido, principalmente, a velocidade alucinante e ao melhor solo de todo registro. Por essas quatro faixas, pode-se dizer que o Firespawn evoluiu em relação ao primeiro disco e deve continuar esse processo evolutivo.

Talvez não seja esse o álbum que se espera de uma banda com tamanha qualidade individual e, definitivamente, esse não será o melhor disco de Death Metal do ano, mas como premio de consolação, posso afirmar que “The Reprobate” é um disco muito bom e sua audição tem alguns momentos que realmente empolgam, ainda que não seja nada excepcional. É um bom trabalho de uma banda que, até agora, não comprovou as expectativas geradas e se mostrou comum mesmo com uma formação tão excepcional. 

Nota: 7.5

*Nota do site The Metal Club: 7.39

Formação:

Alex Friberg - Baixo
Matte Modin - Bateria
Victor Brandt - Guitarra
Fredrik Folkare - Guitarra 
L-G Petrov - Vocal

Faixas:

01. Serpent of the Ocean
02. Blood Eagle
03. Full of Hate
04. Damnatio Ad Bestias
05. Death by Impalement
06. General's Creed
07. The Whitechapel Murderer
08. A Patient Wolf
09. The Reprobate
10. Nightwalkers

Redigido por Vitor Hugo Quatroque

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terça-feira, 18 de julho de 2017

Walpyrgus​ - "Walpyrgus Nights" (2017)

Cruz Del Sur Music

Mundo Metal [ Lançamento ] 



Você não esta cansado de ouvir sempre a mesma coisa de bandas que se dizem old-school mas apresentam som modernoso? Quer voltar aos tempos áureos de cabeleira, cinto de bala, jaqueta jeans cheia de patches, onde o pensamento mais importante na sua cabeça era o próximo show, e não a próxima conta? Procura aquela sensação de saciedade através da música bem tocada, honesta e com preço acessível? Não precisa procurar mais! O Mundo Metal orgulhosamente apresenta um novo produto, criado pelos mais competentes e profissionais cientistas do mercado Heavy Metal, com o objetivo de reacender a chama da felicidade e devolver aquele brilho aos seus olhos! Diretamente dos laboratórios da Carolina do Norte, nos EUA, um conglomerado veterano dos palcos composto por ninguém menos que Scott Waldrop (guitarra, Twisted Tower Dire), Jonny Aune (vocais, Twisted Tower Dire, Viper (US)), Jim Hunter (baixo, Twisted Tower Dire, While Heaven Wept, October 31), Charley Shackelford (guitarra, Daylight Dies) e Peter Lemieux (bateria, Viper (US)) traz a solução para todos os seus problemas de depressão com uma visão clássica do Hard Rock/Heavy Metal na veia dos já líderes absolutos de venda Iron Maiden, Scorpions, Black Sabbath e até Ramones!

Fizemos as melhores pesquisas do mercado e temos certeza que ‘Walpyrgus Nights’ é o produto certo pra você! Com mais de 4 anos de rodagem, uma única dose de Walpyrgus por dia já te transporta para os anais da melhor época da sua vida, desde riffs acessíveis e já característicos de Waldrop em “Lauralone” e “Palmystry” até os vocais duplos que – estudos mostram – têm o mesmo efeito de um chá de gengibre e limpa sua garganta em pouco tempo! Mas não é só isso! Temos aqui também músicas de extremo requinte metálico como a faixa de abertura, “The Dead of Night” e o épico final com “Walpyrgus Nights”; duas canções que prometem grudar os fones de ouvido às orelhas e nunca soltar!

Como o item foi cuidadosamente pensado em agradar VOCÊ, até uma veia punk foi injetada nos trabalhos finais, já que “Dead Girls” começa com linhas de guitarra perfeitas para aqueles que têm saudade dos bons anos 1970. A faixa, inclusive, é de tão boa qualidade que passou por todos os testes técnicos do Inmetro e já esta apta a figurar como abertura de um seriado sobre garotas vampiras motoqueiras! Sensacional! E o que falar das pequenas cápsulas de harmonias ricas, melódicas e energéticas como a bela e mágica “She Lives”, que com certeza fará você dançar como nunca? Com apenas 2:47 de duração, é perfeita para pessoas de todas as idades e pode ser tocada sem cansar!


O ritmo alto-astral também não ficou de fora com a representante dos ouvintes mais animados, “Somewhere Under Summerwind”, trilha perfeita para aqueles dias ensolarados na estrada viajando com a mamãe, o papai e a titia! Pensa que acabou? Claro que não! Vemos aqui também ótimas linhas de guitarra em cascata, cozinha poderosa e presente, além, é claro, de ganchos e mudanças de ritmo perfeitamente condizentes com a produção e mixagens cristalinas, dignas de sua atenção incondicional! E se você ligar nos próximos 30 minutos para nossa central de atendimento dizendo o código “WalpyrgusTeclado” vamos entregar - completamente GRÁTIS - orquestrações, guitarras adicionais e linhas maravilhosas de teclado de ninguém menos que Tom Phillips, co-fundador do While Heaven Wept e profundo estudioso de música clássica! Ainda, as primeiras quinhentas cópias adquiridas também vêm com um cover virtuoso de “Light of a Torch” do grande Witch Cross. Imperdível!

Pra completar, daremos também para todos os compradores uma linda embalagem do artista Gustavo Sazes (Morbid Angel, Arch Enemy, Firewind). Corra, porque uma oferta tão boa como essa só acontece por tempo limitado! De Hard Rock a Heavy Metal, não importa seu estilo favorito: ‘Walpyrgus Nights’ é o produto essencial e imperdível que estava faltando na sua casa. Aceitamos todos os cartões de crédito, ticket restaurante e até vale-transporte como forma de pagamento! Tá esperando o quê? Compre, compre!

Nota: 8

Nota do site The Metal Club: 8.24

Formação:

Jim Hunter (baixo)
Scott Waldrop (guitarra)
Charley Shackelford (guitarra)
Jonny Aune (vocais)
Peter Lemieux (bateria)
Tom Phillips (teclado, orquestrações, guitarras adicionais)

Faixas:

1. The Dead of Night 
2. Somewhere Under Summerwind  
3. Dead Girls 
4. Lauralone 
5. Palmystry  
6. She Lives 
7. Light of a Torch (Witch Cross cover)  
8. Walpyrgus Nights

Redigido por Bruno Medeiros

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Alestorm - "No Grave But Sea" (2017)

Napalm Records

Mundo Metal [ Lançamento ] 



Imagine-se, você está parado na popa de um navio antigo e em pleno mar aberto, o vento gélido e salino corta sua pele, o cheiro do mar impregna suas roupas, você olha para sua esquerda e vê um vasto oceano, olha a sua direita e vê pequenas formações rochosas longínquas. Ao olhar à frente, vê sua tripulação trabalhando incessantemente, homens correndo e limpando o convés, outros estão reparando estragos causados por alguma batalha marítima recente. Eis que você avista ao longe um outro navio, este, com velas de alguma companhia mercante conhecida, e rapidamente brada: "Soltem as velas seus cães sarnentos! A toda força!". É então que a temível bandeira pirata finalmente é hasteada. E como sempre acontece ao avistarem a bandeira, os corações que antes palpitavam, agora congelam e oram por suas vidas. Para você, é um prazer saquear, melhor ainda quando não existem sobreviventes. Ao fim de seu trabalho, sua tripulação e você atracam no primeiro porto, e gastam seu saque em rum, mulheres, diversão e música... 

Agora pergunto, o que mais combina com pirataria? É claro que o novo álbum do Alestorm! Esses “verdadeiros” piratas liderados por Christopher Bowes (vocal e teclado), são conhecidos por seus clipes bem humorados, além do som pesado e envolvente. Tal afirmação jamais soa mentirosa neste novo disco do quinteto escocês, intitulado "No Grave But The Sea", o álbum repete a fórmula dos trabalhos anteriores e apresenta um Folk/Power Metal muito característico e grudento, com passagens mais pesadas e trabalhadas. 

Tudo isso é observado na faixa-título que abre a audição, a canção apresenta uma base pesada, com o baixo de Gareth Murdock apenas marcando território, e ao fundo, as famosas trombetas Folk junto às linhas de teclado. Os vocais de Bowes são únicos e se encaixam com perfeição ao clima proposto. A próxima canção é "Mexico", a mais animada do disco e já conhecida pelos fãs,  como dito, após saques, batalhas e afins, todo pirata precisa se divertir e um local apropriado para isso é como este descrito na letra: "As prostitutas são abundantes, o álcool é de graça, a festa dura a noite toda, o álcool é de graça!”. 

A terceira faixa é a belíssima "To The End Of The World", que segue os mesmos moldes da canção de abertura, porém com mais pompa. Em seus mais de seis minutos de duração, temos peso, personalidade e um refrão grudento. É legal constatar que nesse álbum a banda está se utilizando de novas abordagens, como alguns vocais mais rasgados à cargo de Elliot Vernon, o tecladista. Antesm eles apareciam em pequenos trechos, mas agora aparecem em duetos com Bowes durante todo o disco.


"Alestorm" foi disponibilizada antes do lançamento do álbum, possui um videoclipe no mínimo louco e representa muito bem a mensagem cultivada pelo quinteto escocês.  A canção é caracterizada por aquele instrumental pesado e vocal bem direto, mas que consegue te fazer sorrir e cantarolar o refrão: "Rum, beer, quests and mead/ These are the things that a pirate needs/ Raise the flag and let's set sail/ Under the sign of the storm of ale". Acertaram em cheio, esta composição é mais do que adequada para receber o nome da banda.

Apesar de até agora não saber pronunciar o nome da próxima faixa, garanto que se trata de outro grande acerto. "Bar ünd Imbiss" lembra as famosas músicas entoadas em tavernas, onde os piratas, todos devidamente embriagados, cantarolavam um monte de baboseiras à plenos pulmões. Aliás, a letra desta faixa é totalmente hilária e sem sentido, conta um episódio ocorrido em uma das viagens quando os piratas estavam com vontade de tomar cerveja, entraram em um bar e a partir daí, a história vira uma tremenda zona. Vale a pena conferir. A próxima faixa é a engraçada "Fucked With An Anchor", só pelo nome já dispensa apresentações, somente ouvindo e acompanhando a letra para entender. 

Novamente, Bowes e cia mandam muito bem ao repetir a fórmula já clássica da banda em "Pegleg Potion". Com um começo bem acelerado, possui variações rítmicas bem interessantes e como em quase todas as músicas do disco, é dona de um refrão que gruda igual chiclete. "Man The Pumps" é a mais cadenciada, mas é longe de ser cansativa, talvez a mais normal e a que menos empolga, porém como todas as músicas do Alestorm, possui uma temática forte. Em "Rage Of The Pentahook", toda a energia característica da banda volta à ativa e aqui temos uma faixa bem agitada, com uma base simples, mas bem executada e com cortes de tempos no momento certo. Talvez, essa seja a faixa onde o baterista Peter Alcom apareça mais, visto que em outras canções existe menos visibilidade da bateria, salvo algumas passagens.

Para finalizar esta empreitada pirata através dos sete mares, que tal uma viagem até a ilha do tesouro? "Treasure Island" é a faixa contundente desse disco, que conta com um instrumental de peso, com vários riffs bem construídos e variações de tempo muito bem feitas. Apesar de possuir grande parte de sua composição em uma estrutura cadenciada, a faixa agrada muito por ter muitas passagens inspiradas, além disso, é dona do melhor solo do registro.


Apesar de ser um disco sem muitas surpresas, "No Grave But The Sea" segue fielmente a sonoridade e os temas usados em seus trabalhos antecessores, mantém a qualidade existente na discografia do grupo, sendo este fator um ponto a mais para os piratas do século XXI e, portanto, nos deixando com sede de novas aventuras dentro deste navio pra lá de animado e conduzido por Bowes e sua tripulação insana.

“Yarr ahoy!”


Nota: 8.2

*Nota do site The Metal Club: 8.72

Formação:

Christopher Bowes (vocal)
Gareth Murdock (baixo)
Peter Alcorn (bateria)
Elliot Vernon (teclado)
Máté Bodor (guitarra)

Faixas:

1. No Grave But The Sea
2. Mexico
3. To the End of the World
4. Alestorm
5. Bar ünd Imbiss
6. Fucked with an Anchor
7. Pegleg Potion 
8. Man the Pumps
9. Rage of the Pentahook
10. Treasure Island

Redigido por Yurian “Dollynho” Paiva

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Bloodbound - "War Of Dragons" (2017)

 AFM Records

Mundo Metal [ Lançamento ]



É necessário pesquisar e conhecer bandas novas, e isso o Mundo Metal proporciona aos seus redatores, seja internamente ou através da distribuição de álbuns que irão ser indicados na mídia. Desta vez, tive a felicidade de ser designado para a resenha do novo disco do Bloodbound, "War of Dragons", banda até então desconhecida para mim. Pesquisei sobre a trajetória da banda - obviamente - e descobri que foi formada em 2004, e para minha surpresa no país do meu sobrenome, na Suécia. De todos os discos gravados, esse foi o que teve um tempo maior em relação ao lançamento antigo, três anos, o último foi "Stormborn" lançado em 2014. Todos os outros seis registros tiveram intervalos de apenas 2 anos.

Uma introdução acompanhada de onze faixas somam um total de quarenta e cinco minutos do mais puro Metal. O Bloodbound tem a característica de se apresentar vestindo roupas e maquiagem "corpse paint" como se fossem uma banda de Black Metal, mas sua sonoridade está em um Power Metal clássico e suas letras trazem trechos "obscuros" ou "sombrios". Particularmente apoio introduções em álbuns ou até mesmo em EP's, acredito que o trabalho fique mais interessante a ponto de despertar a curiosidade de ouvir com maior atenção o restante do material.

A audição de "War Of Dragons" de maneira geral me encanta, desde os ótimos vocais de Patrik J Selleby até os detalhes menos perceptíveis como as linhas de baixo. Os backing vocals dão um destaque em coral em diversas músicas, dando  mais brilho as métricas vocais, sendo que Patrik ainda é dono de uma afinação absurda. Como um todo, o disco consegue manter uma base sólida e bem cativante. 


Com as linhas de guitarra impostas, tudo fica mais claro com relação a sonoridade, o som que fica calcado entre o Heavy Metal clássico e o Power Metal, vê o casamento perfeito que existe entre os instrumentos e as vozes, o Power é enraizado nas veias da banda. O bom trabalho envolvendo o tecladista Fredrik Bergh (o cara da segunda voz) é impecável, tipico instrumentista que toda banda deveria ter, responsável por dar um peso absurdo e não deixar espaços vazios nas músicas. 

Como sou baterista, fiquei boquiaberto com o trabalho desenvolvido pelo furacão Pelle Åkerlind, seus pés aparentam pegar fogo e os pedais duplos parecem não ter descanso, porém, é algo muito moderado e nas pitadas corretas. O trabalho do baterista é acompanhado do baixo bem coeso e muito bem cadenciado, cortesia de Anders Broman, o cara é responsável por ótimos grooves e monta uma dupla pra lá de funcional com Pelle, fazendo desta parte rítmica, um dos muitos destaques no álbum.

Costumo escolher algumas faixas favoritas e mencioná-las, mas o disco me impressionou tanto que não consego definir apenas uma faixa ou outra, gostei de absolutamente todas. Desde a intro "A New Era Begins", seguida da poderosa "Battle In The Sky", até o fechamento com "Dragons Are Forever", temos um álbum altamente homogêneo e diferenciado. Gosto de músicas bem preenchidas, onde os instrumentos não fiquem embolados e, principalmente, bandas que conseguem dar uma atenção especial as segundas vozes, deixando que este diferencial dê brilho as canções, as tornando singular.


Concluo que que tive sorte em conhecer o Bloodbound, é daqueles grupos em que você ouve e quer saber mais à respeito, quer ouvir os outros discos e intensificar as audições. Acredito que "War Of Dragons" seja um forte candidato a frequentar as listas de melhores do ano em vários veículos especializados. Tenho total convicção que uma banda quando consegue fazer o ouvinte alcançar um certo nível de entusiamo, pode olhar para trás e saber que todo o suor e dedicação valeu a pena. Falo aqui como músico, resenhista e admirador do Heavy Metal, essa banda é fantástica.


Nota: 9,0

*Nota do site The Metal Club: 9.20

Formação:

Pelle Åkerlind (bateria)
Tomas Olsson (guitarra solo)
Fredrik Bergh (teclado e vocal)
Henrik Olsson (guitarra rítmica)
Patrik J Selleby (vocal)
Anders Broman (baixo)

Faixas:

1. A New Era Begins 
2. Battle in the Sky 
3. Tears of a Dragonheart
4. War of Dragons 
5. Silver Wings 
6. Stand and Fight 
7. King of Swords 
8. Fallen Heroes 
9. Guardians at Heaven's Gate 
10. Symphony Satana 
11. Starfall 
12. Dragons Are Forever


Redigido por Maykon Kjelin 


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Pillorian​ - "Obsidian Arc" (2017)

Eisenwald Tonschmiede

Mundo Metal [ Lançamento ]



É muito comum ver bandas que já passaram por diversas mudanças na sua line-up, sejam elas por desavenças pessoais entres os integrantes ou qualquer outro motivo, dificilmente nos deparamos com formações que estejam intactas desde a sua fundação, e principalmente quando se trata de um grupo que já tem um bom tempo de carreira. Em alguns casos, as bandas optam por encerrar a sua carreira de uma vez por todas ou entrar em um hiato indefinido, nesse meio tempo, alguns dos membros remanescentes resolvem criar outros projetos e em algumas poucas ocasiões, esses integrantes conseguem montar um super grupo formado apenas por bons músicos, que já fizeram parte de diversos grupos consagrados.

O Pillorian é a prova viva disso, trata-se de um power trio formado por músicos que já fizeram ou ainda fazem parte de outros grupos.O vocalista e guitarrista John Haughm, por exemplo, já fez parte da extinta banda, Agalloch, no qual ele também era o vocal e, atualmente, tem um projeto homônimo e também faz parte das bandas Pillorian e Art Of The Black Blood. O baterista Trevor Matthews também faz parte das bandas Uada e Infernus, e o baixista e guitartista Stephen Parker, fez parte da banda de Black/Death Metal, Arkhum e, hoje, também é membro das bandas Banewreaker, Maestus, The Will Of a Million e Worlds Are Wind.

Esse grupo foi formado em 2016, está ativo e é oriundo dos Estados Unidos, até o momento lançou apenas um single e um full-lenght. Apesar de ainda ser uma banda bem recente, se saiu muito bem com esse trabalho de estréia, onde o belíssimo entrosamento entre os integrantes é nítido e o desempenho individual é refletido das músicas.

O álbum possui uma sonoridade que em alguns momentos lembra bastante o que era feito na banda Agalloch, principalmente nas partes mais cadenciadas e nos vocais limpos, porém o instrumental aqui é mais agressivo e melhor trabalhado. As linhas de guitarra possuem bons riffs, a cozinha é ótima, tanto o baixo quanto a bateria souberam mesclar bem a técnica com a agressividade, nas partes vocais ocorrem algumas alternâncias, onde oras se destacam guturais bem rasgados e em algumas passagens, John canta de forma mais limpa.


Um outro destaque interessante no registro, além do feeling incrível, é a atmosfera presente nas composições, em alguns momentos é algo mais sombrio e obscuro e em outras passagens, há uma enorme mudança, onde o instrumental fica mais arrastado e nas partes em que o vocal está limpo, o instrumental fica mais denso e até mesmo viajante.

"Obsidian Arc" contém sete faixas e a sua duração total é de um pouco mais de quarenta e oito minutos, as letras abordam temáticas diversas, entre elas a misantropia, o niilismo, e o esoterismo, temas esses que combinam perfeitamente com a sonoridade da banda. Na arte da capa, percebemos uma perfeita sincronia entre visual e tema abordado, pois a mesma transmite certa negatividade e tem uma vibe bem fúnebre. O responsável pela criação foi o artista belga Niels Geybels.

Em suma, o registro ficou sensacional e ainda mais por se tratar de um álbum debut, certamente a experiência e o potencial de cada músico participante fez a diferença para que o trabalho apresentasse boa qualidade musical. Aos apreciadores de Metal extremo, principalmente aos fãs da banda Agalloch, ouçam esse disco, vocês irão gostar bastante. Recomendo !

Nota: 9,5

 *Nota do site The Metal Club: 9,04

Formação:

John Haughm - (vocal e guitarra)
Stephen Parker - (baixo e guitarra)
Trevor Matthews - (bateria)

Faixas:

1. By The Light Of a Black Sun
2. Archaen Divinity 
3. The Vestige Of Thorns 
4. Forged Iron Crucible 
5. A Stygian Pyre
6. The Sentient Arcanum
7. Dark Is The River Of Man


Redigido Por Marconi Silva

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quarta-feira, 12 de julho de 2017

Liberation Festival (2017)

Mundo Metal [ Live Review ]



Em dezembro do ano passado, os fãs de Heavy Metal foram pegos de surpresa quando a produtora Liberation Music Company anunciou um festival que leva seu nome, na casa de shows Espaço das Américas, localizada na região da Barra Funda, em São Paulo. O motivo de tal alvoroço é que o tal festival, que comemora o 25º aniversário da produtora, contou com ninguém mais ninguém menos do que o célebre músico dinamarquês King Diamond e sua banda como atração headliner. Quase vinte anos depois de sua última passagem em solo brasileiro, em 1999, a banda retornou ao Brasil para essa única e tão aguardada apresentação, que ainda contou com outras atrações de peso em seu line up, as bandas Test (São Paulo), Heaven Shall Burn (Alemanha), Carcass (Reino Unido) e Lamb of God (Estados Unidos). E como foi esse evento tão aguardado por muitos, afinal? Pois bem, falemos sobre isso nas próximas linhas...

A abertura da casa ocorreu por volta das 16h e muito cedo já era possível ver uma legião de headbangers em frente ao local. Destaque para os muitos fãs de King Diamond caracterizados com seus característicos corpse paint. Como já era de se esperar, a produtora disponibilizou o seu merchandising oficial, o que culminou em uma enorme fila de pessoas que desejavam adquirir itens como camisetas das bandas do festival a copos personalizados, esses, diga-se de passagem, muito procurados por uma grande quantidade dos presentes. O duo de Grindcore paulistano Test foi a primeira atração do evento e iniciaram sua curta e devastadora apresentação às 17h30. A dupla promove o seu segundo álbum de estúdio, “Espécies” (2015) e por mais que o público ainda não estivesse muito expressivo, não há como negar que João Kombi (vocal/guitarra) e Barata (bateria) realizaram uma apresentação excepcionalmente brutal.

Por sua vez, às 18h10 é a vez da apresentação dos alemães do Heaven Shall Burn se iniciar. Algo que creio que seja importante de ser mencionado é o fato de muitos headbangers terem despejados diversas críticas negativas a banda assim que a mesma foi confirmada no cast do festival. Muitos sequer conheciam o seu trabalho e sua proposta musical e saíram detonando o grupo sem mais nem menos. Puro preconceito infantil e desnecessário! Ainda que a banda possua sim uma proposta mais “modernosa”, digamos assim, são músicos extremamente competentes e realizam uma fusão bem coerente de Metalcore e Melodic Death Metal. Sendo assim, vamos ao que interessa que é a apresentação da banda em si.

O quinteto formado por Marcus Bischoff (vocal), Maik Weichert (guitarra), Alexander Dietz (guitarra), Eric Bischoff (baixo) e Christian Bass (bateria) sobe ao palco e então, uma introdução de piano surge dos P.A.’s. O energético frontman Marcus Bischoff solta um “Are you ready?”, em alto e bom som, dando lugar a primeira música do setlist “The Loss of Fury”, a faixa de abertura do mais recente trabalho dos germânicos, “Wanderer” (2016). O repertório oferecido pelos músicos prosseguiu com “Bring the War Home”, a segunda faixa de “Wanderer”. Marcus agradece a todos e sem perder tempo, já mandam “Voice of the Voiceless”, do álbum “Antigone” (2006), além de “Corium”, outra composição recente da banda. O grupo faz outra pequena pausa e seu vocalista novamente profere agradecimentos ao público e menciona que é um prazer tocar ao lado de grandes bandas, como Carcass, Lamb of God e claro, King Diamond. O restante da apresentação foi composta por “The Weapon They Fear”, “Combat”, “Awoken (Intro”), “Endzeit”, “Counterweight” e “Black Tears”, cover do Edge of Sanity, que encerrou a performance da banda de forma bastante totalmente satisfatória. Uma apresentação muito profissional e poderosa! 

Exatamente uma hora após a apresentação do Heaven Shall Burn, às 19h10 tem início uma das atrações mais aguardadas do festival: Carcass! Certamente, a banda é uma das mais aclamadas do Metal Extremo mundial e levando em consideração que sua última passagem por terras brasileiras foi em 2013, todos os seus fãs estavam muito ansiosos pelo show dessa lenda. A hipnótica introdução “1985”, do mais recente álbum dos ingleses, o excepcional “Surgical Steel” (2013), ecoa e então, Jeff Walker (vocal/baixo), Bill Steer (guitarra/vocal de apoio), Ben Ash (guitarra) e Daniel Wilding (bateria) sobem ao palco, tocando a potente “316L Grade Surgical Steel”, uma das faixas do já mencionado último álbum. As clássicas “Buried Dreams”, de “Heartwork” (1993) e “Incarnated Solvent Abuse”, de “Necroticism - Descanting the Insalubrious” (1991) fizeram a casa vir abaixo, como já era de se esperar. Também representantes do idolatrado álbum “Heartwork”, a paulada “Carnal Forge” e a cadenciada “No Love Lost” foram executadas na sequência, com muito vigor e feeling, diga-se de passagem. 

O frontman Jeff Walker agradece a todos e sem perder tempo, emendam com outro petardo de “Surgical Steel”, a espetacular “Unfit for Human Consumption”, seguida de um pequeno trecho instrumental de “A Congealed Clot of Blood”, outra faixa do mesmo disco. Explorando ainda mais as composições de seu último álbum, o quarteto deu sequência a apresentação com a devastadora “Cadaver Pouch Conveyor System”, que fez os apaixonados por moshpit se acabarem na roda. A destruição continuou com a igualmente empolgante “Captive Bolt Pistol”. Em um determinado momento, a banda fez uma pequena pausa durante a performance da música e Jeff Walker perguntou se por acaso havia alguém do Chile e da Argentina e em seguida mencionou que essa composição era dedicada a eles e em seguida continuaram a tocá-la.

Walker pergunta se os presentes estavam ansiosos pela grande atração da noite, King Diamond e logo após comenta que possuem mais vinte minutos de show. Vinte minutos que foram muito bem aproveitados, por sinal! A intro de “Edge of Darkness” é emendada com a poderosa “This Mortal Coil”. Durante o momento mais ameno da música, Jeff pede para o público bater palmas, algo que proporcionou um clima bem interessante e até inusitado, levando em consideração que se trata de uma apresentação de Metal Extremo. O lado mais pútrido e vil dos ingleses veio com a execução de dois clássicos emblemáticos de sua fase Goregrind: “Exhume to Consume” e “Reek of Putrefaction”, do visceral “Symphonies of Sickness” (1989). O moshpit comeu solto nessa hora e quem não estava na roda, “bangueou” e agitou sem dó da mesma forma. 

Sabe aquela apresentação da qual pensamos que não dá pra melhorar e de repente somos surpreendidos? Pois é, essa é uma delas. O ultra clássico “Corporal Jigsore Quandary” surge na sequência, levando todos os fãs da banda a um frenesi infernal e então, chega a hora do gran finale, que não poderia ser outro se não um dos maiores hinos da banda e do Metal Extremo mundial: “Heartwork”, a emblemática composição do clássico álbum homônimo de 1993. A apresentação se encerrou com seu frontman agradecendo novamente a todos e com a banda toda tocando um curto trecho de “Carneous Cacoffiny”, faixa de seu terceiro e igualmente clássico álbum “Necroticism - Descanting the Insalubrious”. Em poucas palavras, o show da banda foi uma aula maravilhosa de Metal Extremo. Que não demorem a retornar a nosso país!

Inicialmente programado para as 20h30, a apresentação dos estadunidenses do Lamb of God tem início após um atraso de apenas dez minutos e começa de forma empolgante e intensa com “Laid to Rest”, faixa de abertura de “Ashes of the Wake” (2004). Randy Blythe (vocal), Willie Adler (guitarra), Mark Morton (guitarra), John Campbell (baixo) e Chris Adler (bateria) botam os seus fãs para agitar e quebrar tudo com uma facilidade incrível. A banda é uma das mais aclamadas da atualidade dentro da vertente Groove Metal/Metalcore e sua última passagem pelo Brasil ocorreu em 2015, no palco Sunset do Rock in Rio, portanto, o seu retorno foi muito aguardado pelos apreciadores do grupo, em especial por aqueles que ainda não tiveram o privilégio de vê-los ao vivo.

Representando o álbum “As the Palaces Burn” (2003), “Ruin” foi a segunda música a ser tocada, novamente recebida de braços abertos por muitos. Há uma breve pausa e o frontman Randy Blythe agradece a todos e anuncia que tocarão uma composição de seu mais recente álbum “VII: Sturm und Drang” (2015), a ótima “512”, que fez muitos “banguearem” e cantarem sua letra. Diretamente do disco “Resolution” (2012), “Desolation” deu continuidade a apresentação com muita força e energia. O inquieto vocalista agradece a todas as bandas do festival e em seguida anuncia o próximo som, “Walk with Me in Hell”, de “Sacrament” (2006). Novamente, a destruição e o caos tomaram conta da pista. A recente e não menos poderosa “Still Echoes” foi tocada logo após, sem deixar os fãs respirarem. 

Depois de outro pequeno discurso de Blythe, o vocalista anuncia a música seguinte: “Now You've Got Something to Die For”, pedrada que sempre figura nos shows da banda e fez com que os fãs agitassem constantemente, “bangueando” e promovendo moshpit na pista. A pancadaria continuou com “Hourglass”, outra faixa de “Ashes of the Wake”, “Ghost Walking”, hit de “Resolution” e outra composição do novo álbum, “Engage The Fear Machine”. Randy faz um discurso em tom cômico a respeito de King Diamond, questionando a todos “Vocês gostam de Satã?” e emendando com “Eu adoro a porra do diabo!”. Após a brincadeira, a banda emenda com a clássica “The Faded Line”, com direito ao vocalista gritando um hilário “Sataaaaan!!!” bem no começo da música, arrancando gargalhadas dos fãs da banda. O final da apresentação ficou a cargo de “Blacken The Cursed Sun” e “Redneck”, ambas de “Sacrament”. Nessa última música, Blythe pediu por um circle pit e claro, foi prontamente atendido por um grupo de ensandecidos fãs. Pra variar, mais uma performance irrepreensível e repleta de energia.

Durante a apresentação do Lamb of God, era extremamente nítida a impaciência de quem não era fã da banda para que o show terminasse logo e a apresentação do King Diamond tivesse início. Aliás, vale mencionar que em um determinado antes do show dos estadunidenses ter início, foi possível ver um pouco do magnífico palco da apresentação de Diamond atrás do backdrop do Lamb of God. Isso sem sombra de dúvida aumentou a ansiedade dos fãs e então, após uma demora considerável, pouco mais de 22h da noite era possível ouvir a música “The Wizard”, de Uriah Heep ecoar pelos P.A.’s, preparando o clima atmosférico exigido para uma apresentação do porte da que estava para começar...

Eis então que tem início a climática e soturna introdução “Out from the Asylum”. Diversos celulares estavam em punho nesse momento, registrando cada nuance daquele tão aguardado momento. Assim que a introdução se cessa, uma performance explosiva tem início e o Espaço das Américas literalmente vem abaixo!  Ao som da magistral “Welcome Home”, do clássico álbum “Them” (1988), um legítimo espetáculo teatral e hipnótico teve início, com luzes por todos os lados e um palco capaz de impressionar qualquer um. Quando o inconfundível vocalista King Diamond entrou em cena, então, parecia uma miragem! Muitos sequer acreditavam que estavam ali, assistindo um dos shows de Heavy Metal mais aguardados em muitos anos. A performance do lendário vocalista e da  personagem Grandma no palco foi algo sobrenatural de se ver. E falando em sobrenatural, o que dizer a respeito do desempenho assustador de Diamond? Como continua cantando horrores o baixinho!

O espetáculo continuou com “Sleepless Nights”, uma das canções mais marcantes de “Conspiracy” (1989). Os músicos, então, realizam uma breve pausa, na qual King Diamond dá um “Boa noite, São Paulo!” em alto e bom som e claro, é prontamente respondido por todos os presentes. Após trocar algumas palavras com o público, o frontman dinamarquês apresenta os integrantes da banda e membros adicionais que colaboram com a performance ao vivo: Jodi Cachia (performance de Grandma e de várias personagens), Hel Pyre (vocal de apoio), Mike Wead (guitarra), Pontus Egberg (baixo), Matt Thompson (bateria) e claro, o espetacular guitarrista Andy LaRocque, que foi aplaudido e ovacionado por todos instantaneamente e emendando com os primeiros riffs do gigantesco clássico “Halloween”, da obra prima “Fatal Portrait” (1986), o álbum de estreia da carreira solo de King Diamond. Depois de agradecer novamente ao público, o carismático vocalista oferece a todos a faixa de abertura de “The Eye” (1990), “Eye of the Witch”, outro grande clássico que é recebido com muito gosto por cada um dos presentes. 

Eis então que, após tocarem grandes hinos de sua carreira solo, King Diamond e Cia. nos presenteiam com a execução avassaladora de dois hinos dos tempos de Mercyful Fate: “Melissa”, do clássico álbum homônimo de 1983 e “Come to the Sabbath”, do igualmente clássico “Don’t Break the Oath” (1984). Não há muito que dizer! Quando esses dois petardos foram tocados a comoção de todos ficou mais explícita do que nunca, com todos os fãs cantando as letras a plenos pulmões, agitando e apreciando cada fração de segundo da mágica performance da banda. Destaque absoluto para o enorme pentagrama surgido durante a execução da poderosíssima “Come to the Sabbath”. Simplesmente não há palavras que descrevam a atmosfera que pairou no local. 

Novamente, o palco é alterado e a instrumental “Them”, do álbum homônimo ecoa pelos P.A’s, emendada com a clássica introdução “Funeral”. É hora do clássico álbum “Abigail” (1987) ser tocado na íntegra! Esse grande álbum de Heavy Metal completará em outubro desse ano três décadas de existência e uma palavra define a sua execução por terras brasileiras: perfeição! Ao mesmo tempo em que a introdução é tocada, duas figuras encapuzadas trazem um caixão contendo uma pequena boneca, que faz menção à criança natimorta  da história do álbum. De repente, o frontman pega uma adaga e crava a lâmina na boca da boneca, levantando-a sobre sua cabeça e simula beber seu sangue. O marcante e épico riff de “The Arrival”, a faixa de aberta do álbum, entra em cena, enlouquecendo ainda mais cada um dos presentes. 

Por sinal, se o público já estava em um delírio surreal, isso apenas aumentou quando a banda prosseguiu a apresentação com a aclamada “A Mansion in Darkness”. Seus arranjos empolgantes não deixaram pedra sobre pedra e durante a performance da canção, a artista estadunidense Jodi Cachia, que no início do show já havia interpretado a personagem de Grandma, dá as caras no alto do palco trajando um vestido branco e carregando um candelabro em uma de suas mãos. Para quem não sabe, Jodi é muito conhecida por suas performances nos shows da banda e ao longo da apresentação, fez diversas aparições, evidentemente.

Logo em seguida, outro grande destaque do disco é tocado, “The Family Ghost”. A teatralidade da apresentação continua envolvente e deslumbrante, com Jodi interpretando que estava grávida e caindo no final da escadaria do palco. Os belíssimos dedilhados de “The 7th Day of July 1777” marcam o início de outra grande composição da obra oitentista. Se o clima da apresentação permanecia repleto de muita teatralidade e atmosfera? Mas é claro que sim e assim permaneceu até o final.

Igualmente poderosa, “Omens” conta com mais um desempenho irrepreensível de todos que estavam no palco, doses cavalares dos agudos sempre surpreendentes de King e claro, uma espetáculo visual majestoso e realmente indescritível. “The Possession”, como já era de se esperar, contou com Jodi interpretando uma possessão demoníaca e durante a execução da faixa título, “Abigail”, entregou um desempenho performático completamente insano e fascinante. A última faixa do álbum, a épica “Black Horsemen”, anunciou o final dessa grandiosa apresentação de forma brilhante, com mais atmosfera e performances teatrais. Jodi emerge no alto da escadaria, agora com um vestido preto, simulando estar grávida novamente. De repente, ela interpreta ter dado luz ao bebê e o arremessa no chão. Eis que duas figuras encapuzadas aparecem no palco e o levam embora. 

O show se encerra com uma das faixas de “The Eye”, “Insanity”, rolando nos P.A.s. A banda e seus membros adicionais se reúnem ao meio do palco e são aplaudidos por todos. King Diamond ainda fica no palco durante alguns minutos, fazendo sinais de agradecimento a muitos dos presentes, além do icônico gesto do horns up para muitos dos que estavam ali. Ao término de uma apresentação dessa magnitude, todos se perguntavam se o que haviam assistido realmente havia acontecido. Uma apresentação que certamente entrou para a história e que com certeza será comentada por muitos fãs durante muito tempo. 

Por fim, após o encerramento de um festival tão diversificado e organizado como esse, simplesmente cabe a nós agradecermos a produtora Liberation Music Company e ao Espaço das Américas por tamanho entretenimento de qualidade que proporcionaram. Tudo foi concebido com muita competência e profissionalismo e que esse tipo de iniciativa sirva de inspiração a muitas outras produtoras de shows.


Redigido por David Torres