quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Lançamento: Vorgok - "Assorted Evils" (2016)


Se eu não soubesse previamente que se tratava da nova banda do experiente Edu Lopes (ex-Explicit Hate e Necromancer), certamente a minha surpresa seria imensa ao me deparar com um álbum de tamanha qualidade, porém conhecendo o trabalho de Edu, confesso que a devastação promovida em "Assorted Evils" já era absolutamente esperada.

Para dar vida a Vorgok, o tarimbado músico se juntou ao jovem baixista João Wilson e desde 2014, ambos vem trabalhando nas composições contidas neste debut. "Assorted Evils" foi produzido por Celo Oliveira no Kolera Homestudio, no Rio de Janeiro e como em toda boa produção de Thrash Metal, a sonoridade ficou bem balanceada e num meio termo acertado entre a sujeira requerida pelo estilo e a limpidez das gravações mais modernas.

O nome da banda possui uma particularidade interessante e que encaixa como uma luva no conteúdo das letras apresentadas, Vorgok é uma palavra sem tradução e que significa a junção do conjunto de males realizados pela humanidade no passado, presente e futuro. Tal significado pode ser constatado em praticamente todo o disco, as canções abrangem temas como intolerância, manipulação, opressão, extermínio entre raças, educação, os direitos dos povos do Terceiro Mundo à segurança alimentar adequada e outros assuntos de total relevância.

Musicalmente, a Vorgok executa um Thrash Metal old school e que em nenhum momento soa datado. Percebe-se diversas referências ao Slayer (do início de carreira) e influências de bandas alemãs como Kreator e Sodom, algumas pitadas de Crossover também são notadas e apesar de "Assorted Evils" não trazer nenhuma novidade ao gênero, é um registro forte, honesto, competente, cheio de garra e que ao longo de suas 10 composições, reúne todas as principais características que um fã do estilo espera.


O trabalho é uma porradaria desenfreada da primeira à última faixa e para quem estava acostumado com os riffs matadores de Edu Lopes em seus trabalhos passados, na Vorgok o músico também é responsável pelas partes vocais, sendo esta uma grande surpresa e também uma grata revelação.

Algumas canções já nasceram com potencial para se tornarem clássicos do Metal nacional, casos de "Kill Them Dead" (o primeiro single), "Hunger" (que ganhou um vídeo clipe) e a espetacular "Mass Funeral At Sea". Logicamente estas não são as únicas que se destacam, pois o álbum é dos mais homogêneos e faixas devastadoras como "Headless Childrem", "Deception In Disguise" e a soberba "Man Wolf To Man" são algumas que empolgam bastante e são um verdadeiro tormento para pescoços destreinados.

"Assorted Evils" é um disco de estréia contagiante, capaz de agradar qualquer apreciador de música rápida, agressiva, visceral e bem tocada. Traz uma banda ajustada e que sabe exatamente onde quer chegar, é possuidora de uma identidade bem definida, com ótimos riffs, ótimos solos e letras que abordam assuntos inteligentes. É claro que a Vorgok ainda tem um longo caminho a percorrer, porém automaticamente já se transforma em mais um nome de peso de nosso Metal nacional e certamente, deve conquistar um público cativo fora do Brasil também.

Estando totalmente antenados nos atuais meios de divulgação, a Vorgok disponibilizou o disco completo para audição em seu canal oficial do Youtube e nas principais plataformas de streaming. O download é uma realidade inquestionável e os streamings são os responsáveis por uma grande porcentagem do que é escutado pelo público headbanger nos dias de hoje, ser alheio a estes fatos é demonstrar total desconhecimento de causa. Além de você poder ouvir o álbum em sua totalidade, pode acompanhar as letras de todas as composições, para isso basta acessar o link abaixo:


Recomendo! Excepcional trabalho de um grupo que demonstra qualidades irrefutáveis e enorme potencial, vale cada segundo da audição e desde já, é um dos meus álbuns nacionais favoritos de 2016.


Integrantes:

Edu Lopez (vocal e guitarra)
João Wilson (baixo)
Bruno Tavares (guitarra)

Baterista convidado (session drummer):

Jean Falcão

Faixas:

1. Deception in Disguise
2. Hunger
3. Kill Them Dead
4. Last Nail in Our Coffin
5. Antagonistic Hostility
6. Hell's Portrait
7 Headless Children
8. Man Wolf to Man
9. Drowning 
10. Mass Funeral at Sea

por Fabio Reis

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Live Review: Kool Metal Fest 2016


Teatro Mars - São Paulo - 27/11/201

Um dos eventos mais aguardados por uma considerável leva de fãs brasileiros da música pesada ocorreu no domingo do dia 27 de novembro. Falo nada mais nada menos que da última edição do Kool Metal Fest, que ocorreu no Teatro Mars, em São Paulo. O festival, que ocorre há 13 anos, já recebeu diversas grandes atrações, tanto nacionais como internacionais. Nessa tão aguardada edição, o cast contou com as bandas paulistanas Criminal Mosh, Urutu, The Black Coffins, Flicts, Possuído Pelo Cão, Ratos De Porão, além da atração internacional Dr. Living Dead! (Suécia). Como podem ver, a edição foi, simplesmente, um verdadeiro deleite para os fãs de Crossover Thrash/Hardcore Punk. A seguir, iremos mergulhar de cabeça nesse evento que certamente ficará marcado para a história do KMF.

A abertura do Teatro Mars ocorreu às 14h e os presentes que chegaram nessa faixa de horário no local, – enfrentando o calor terrível que estava fazendo, diga-se de passagem, – puderam conferir uma apresentação surpresa do duo Test, que evidentemente não estava no cast. João Kombi (vocal/guitarra) e Barata (bateria), volta e meia, como todos já sabem, fazem diversas apresentações imprevisíveis e ainda que poucas pessoas tenham assistido a dupla tocar, certamente realizaram um belo aquecimento para o evento.

Por volta das 15h, o evento foi oficialmente iniciado, com o show do Criminal Mosh. Uma fita de isolamento esticado no palco, além de uma introdução do Racionais MC’s deram o tom inicial da apresentação do grupo, que executa um Crossover com notáveis influências de nomes como Body Count e Suicidal Tendencies e é bastante respeitado na cena independente, abordando temas como a realidade da periferia e da violência do dia a dia. Embora o teatro ainda não estivesse cheio, parte do público abriu a roda, caiu no mosh, promoveu stage divings, cantou e agitou muito ao som de músicas como “Ensino Fundamental do Crime”, “O Despertar dos Mortos” e “Violência Explícita”. Certamente uma ótima escolha para abrir o festival. Uma ótima apresentação!

Na sequência, foi a vez do Paranóia Oeste mandar o seu som insano e experimental. Possuindo como influências bandas como Mr. Bungle, Sepultura e Nação Zumbi, as composições do grupo necessitam ser escutadas com atenção, tamanha é a experimentação dos músicos. Uma banda criativamente maluca!  Pouco depois, teve início a apresentação da terceira banda do evento, Urutu. O grupo, que possui três EP’s lançados, faz uma mescla bem feita e interessante de Heavy Metal com Punk e conta com Thiago Nascimento (D.E.R.) nos vocais. É muito interessante ver Thiago cantar de forma completamente diferente da proposta Grindcore do D.E.R., por sinal. Outra boa escolha para o evento, novamente “aquecendo os motores” dos presentes para as apresentações seguintes.

Dando continuidade ao evento, tivemos a apresentação do The Black Coffins, que executou seu híbrido de Death Metal com Crust. Um híbrido portentoso e com muito feeling, diga-se de passagem! Outra grande apresentação que foi sucedida pela aula de Punk Rock do Flicts. O trio realizou uma apresentação irrepreensível e que não deixou nenhum dos presentes indiferentes. Baita show, sem mais! Agora, caro leitor, se as coisas já estavam muito boas até aqui, um caos incessante – no melhor sentido da palavra, é claro! – estava prestes a surgir com a 6ª (66) banda do fest: Possuído Pelo Cão ou simplesmente PxPxCx. 

Mal a apresentação do grupo havia se iniciado e camisinhas infladas, além de um peixe e  bolas infláveis flutuavam de um canto para o outro do teatro, indo, até mesmo em direção ao palco, chegando até mesmo a atingir a bateria em alguns momentos. Creio que somente de descrever isso já é possível ter uma noção da insanidade e demência que foi a apresentação da banda, porém o melhor  – ou pior, dependendo do ponto de vista  –  ainda estava por vir. Antes mesmo de Poney Ret (vocal) subir ao palco ao lado dos outros integrantes, um número absurdo de fãs já estava lá, pronto para promover insanos e intensos stage divings, tanto da forma convencional como em pranchas de surfe, prática no mínimo hilária e bastante comum em shows do estilo.

O terreno do caos já estava montado e então se inicia a icônica “A Marcha do Cão”. Em seguida, Poney profere “Nós somos Possuído Pelo Cão e nós somos feios por fora e por dentro também!”. Introdução mais que adequada para a ensandecida “Ugly Inside Too”. Imaginem um show insano! Agora imaginem uma apresentação ainda mais desvairada! Pois bem, isso ainda não chega nem perto do nível da maluquice que foi essa performance. A banda brindou a todos com as pedradas “Air Mail Surgery”, “Catholic Beast”, o genial cover de “Grey World” (Attitude Adjustment), “Demo(n)cracy?”, “Too Fast To Die”, “Toxic Possession”, “Anarco-Cops”, – que contou com o trecho inicial da clássica “Money Talks” (Cryptic Slaughter) – , “Policial de Cu”, “Impaled Nazi-Teen”, o inusitado cover de “Prowler” (Iron Maiden), “Blame Satan”, “Mosh Jocks”, além da divertidíssima “Semen Churches” e claro, para encerrar com chave de ouro, “Possuído Pelo Cão”, cover obrigatório do D.F.C.  

Próximo ao fim do show, a banda precisou parar de tocar por alguns minutos. A equipe do evento alegou que o palco não estava suportando o peso dos presentes que constantemente subiam para dar stage diving. O baixista Túlio interagiu com o público e explicou a situação da melhor maneira que pôde. Por um momento, pensava-se que o show iria se encerrar antes do esperado e alguns presentes chegaram a urrar de frustração. Felizmente, no final tudo se resolveu e a banda conseguiu prosseguir o setlist que, inclusive, já estava no fim. Apesar disso, nada tirou o brilho do show que certamente roubou a cena com seus psicóticos circle pits e stage divings incessantes. 

Aliás, é incrível e muito bom saber que muitos dos presentes, por incrível que pareça, estavam mais ansiosos em ver o Possuído Pelo Cão ao vivo do que o próprio Dr. Living Dead! que foi a apresentação internacional do fest.  Parando para analisar, isso é mais do que compreensível, uma vez que o PxPxCx já havia encerrado as atividades e decidiram se reunir para essa única apresentação de última hora. E que apresentação! Pouco antes de deixar o palco, Poney disse que infelizmente a banda havia acabado e que eram “coisas da vida”. Seria muito bom se um dia ele e os demais integrantes decidissem retomar as atividades definitivamente. Quem sabe um dia...


No início da tarde, muito antes de sua apresentação ter início, os suecos do Dr. Living Dead! já aprontavam no teatro. Houve um momento em que chegaram a pular a grade que separava a área externa do local e o camarim para tirar fotos com os fãs que ali estavam. Disse isso antes e repito: olhando todo o carisma e simpatia que os músicos da banda possuem, sequer parece que se trata de uma banda de um território escandinavo. Realmente, são artistas que não apenas possuem total influência das bandas de Venice, Califórnia (EUA), como também possuem as mesmas vibrações. Sem comentários!

Por volta de 20h20, a introdução “Final Broadcast” já rolava nos P.A.’s, aquecendo o público para mais uma maratona interminável de mosh, stage diving e euforia digna de um show de Crossover/Thrash Metal. Sem demora, somos bombardeados com a faixa título do mais recente álbum da banda, a literalmente esmagadora “Crush the Sublime Gods”. A banda, que não toca em solo brasileiro desde 2009, quando integraram o cast do evento “Night of the Living Thrashers”, retornou pela segunda vez ao Brasil e realizou uma apresentação para ninguém botar defeito, mesclando tanto composições do mais recente trabalho como dos anteriores, agradando em cheios aos fãs. 

Outro ponto que devemos mencionar é o atual line-up da banda. O guitarrista Dr. Toxic (Thomas Sundin) e o baixista Dr. Rad (Johannes Wanngren) já são velhos conhecidos do público, mas os mais recentes integrantes da banda, o baterista Dr. Slam (Staffan Lundholm) e o vocalista Dr. Mania (Christopher Hjelte), que estrearam no EP “TEAMxDEADx” (2015), vieram ao Brasil pela primeira vez e, pra variar, mandaram muito bem em seus respectivos postos, jamais desapontando por um segundo que seja.

Pedradas como “Gremlins Night”, “Dead End Life”, “Suffering”, “Streets of Doc-Town”, “World War Nine” e “Revenge on John” foram recebidas de forma extremamente positiva pelo público, que literalmente se arrebentou no moshpit, promoveu stage divings novamente incessantes, e por aí vai. As novas composições também não fizeram feio ao show, muito pelo contrário! “TEAMxDEADx” e “Civilized to Death” já são hinos da fase atual da banda e outras como “Another Life”, “Force Fed” e “No Way Out” também fizeram os presentes devastarem completamente o local.

Também não há como deixar de mencionar um dos destaques da apresentação, que foi o cover de um dos maiores clássicos da história do Metal nacional: “Inner Self” (Sepultura). Ainda que não tenha sido tocada na íntegra, fez todos agitarem e cantarem a sua icônica letra a plenos pulmões. O gran finale ficou para “UFO Attack”, que encerrou o show de maneira apoteótica e brilhante! Certamente é uma das melhores bandas da atualidade quando o assunto é Crossover/Thrash e que continuem em atividade por muitos e muitos anos, brindando a todos com grandes trabalhos e claro, retornando cada vez mais ao nosso país.


Dizem que tudo que é bom, dura pouco e creio que seja verdade mesmo, infelizmente. Cerca de 22h, uma das melhores e mais importantes bandas do cenário da música pesada brasileira sobe ao palco: Ratos De Porão! A banda, que excursiona no momento tocando na íntegra o clássico álbum de estúdio “Anarkophobia” (1991), que completou o seu 25º aniversário nesse ano, fez aquilo que sabe fazer de melhor, ou seja, uma apresentação digna de incontáveis elogios e nenhum ponto negativo. Além do repertório de “Anarkophobia”, João Gordo e sua trupe ainda executaram uma sequência de músicas destruidoras: “Conflito Violento”, “Jardim Elétrico” (cover de Os Mutantes), “Maquina Militar”, “Amazônia Nunca Mais”, “Beber Até Morrer”, “Aids, Pop, Repressão”, “Herança”, “Crucificados Pelo Sistema”, “Realidades da Guerra” e “Crise Geral”. É importante ressaltar que, por mais que o público estivesse visivelmente cansado após tantos shows intensos, engana-se quem pensa que os presentes não agitaram apenas por conta disso. O moshpit comeu solto novamente, bem como o stage diving, que continuava rolando a todo instante. Talvez não como a mesma intensidade de outrora, porém é bastante compreensível. 

Após ter o privilégio indescritível de comparecer a um evento impecável como esse, confesso que chega a ser praticamente impossível conseguir transmitir toda a satisfação através dessas linhas. Os organizadores, as bandas, o público, todos estão de parabéns! A música pesada como um todo ganha novos apreciadores a cada dia que passa e eventos como o Kool Metal Fest são uma prova cabal disso. Tanto fãs mais velhos como mais novos compareceram em peso para prestigiar o fest e que, cada vez mais, novas e insanas edições como essa surjam. 

Texto e imagens por David Torres

sábado, 3 de dezembro de 2016

Lançamento: Dark Tower - "Eight Spears" (2016)


Se por um acaso você gosta de Metal Extremo executado com qualidade muito acima da média, a Dark Tower é a uma banda que não pode passar despercebida, certamente é um dos nomes de maior potencial em todo o cenário nacional e por que não, mundial. O grupo original do Rio de Janeiro, foi formado em meados de 2006 e após o lançamento de uma Demo Tape ("Specters Arrival") e dois ótimos EP's ("Lord ov the Vastlands" e "Retaliation"), debutaram com o álbum "...Of Chaos And Ascension" (2013), demonstrando toda a sua capacidade técnica, criativa e causando rebuliço em todo o underground.

Com a resposta extremamente positiva de seu registro de estréia, a Dark Tower despertou grande expectativa para o lançamento do segundo full. Se "...Of Chaos And Ascension" já conseguiu chamar a atenção, o que podemos constatar ao fazer a audição do novo trabalho é que "Eight Spears" supera qualquer previsão por mais otimista que pudesse ser e eleva a musicalidade do grupo a patamares inimagináveis. Todas as principais características encontradas no debut, aparecem no novo disco ainda mais evidenciadas, as composições estão com mais identidade, percebe-se uma evolução inquestionável e afirmo com total segurança, estamos diante de um dos nomes com maior possibilidade de alçar voos mais altos e conquistar o mercado internacional.

"Eight Spears" é mais visceral, mais agressivo, melhor produzido e ainda conta com performances irrepreensíveis por parte de todos os integrantes. A versatilidade da dupla de guitarristas formada por Raphael Casotto e Rafael Morais impressiona, pois além da rifferama e das linhas insanas, os caras ainda conseguem imprimir doses de melodia em cada uma das faixas, trazendo mais um diferencial para a sonoridade da Dark Tower. O baixista Rodolfo Ferreira e o baterista Jean Secca são os responsáveis por uma das cozinhas mais infernais dos últimos tempos, os músicos esbanjam talento e técnica com viradas sensacionais e atuam com uma precisão cirúrgica. Por último, Flávio Gonçalves é perfeito em sua proposta, gritando e urrando como poucos, o vocalista alterna de forma impecável entre o gutural e o rasgado.


Temos participações especiais bem interessantes e músicos como Felipe Eregion (Unearthly), Guilherme Sevens (Painside), Pedrito Hildebrando (Vociferatus) e Rodrigo Garm (Pagan Throne), engrandecem muito o trabalho fazendo com que a alta gama de variações contidas no mesmo, não deixem que "Eight Spears" caia na mesmice e seja um disco dinâmico do início ao fim.

Faixas como "Destroy The House Of Ha'shem", "The Legion Marches On", "On Darkest Wings", "Haeretic" e a faixa título, trazem o melhor do Black/Death Metal em composições fantásticas que beiram a perfeição. Tudo é muito equilibrado, muito acertado e este é um álbum apenas de pontos altos. Há inúmeros momentos marcantes e passagens que se destacam, as orquestrações, uma característica forte da banda, estão mais contidas e devido a isso, a brutalidade e a crueza ganham mais espaço, esta se mostrou uma escolha bem acertada, já que "Eight Spears" se encaixa como uma luva entre os melhores do ano no estilo. 

O segundo disco da Dark Tower foi lançado no dia 07 de outubro via Black Legion Prods e Lab 6 Music, tem sido muito bem recebido pela imprensa especializada e vem colecionando resenhas positivas. Se você é fã de Metal extremo de alta qualidade, este álbum deve se tornar prioridade em suas audições e presença garantida na sua coleção. Altamente recomendado!



Integrantes:

Flávio Gonçalves (vocal)
Raphael Casotto (guitarra)
Rafael Morais (guitarra)
Rodolfo Ferreira (baixo)
Jean Secca (bateria)

Faixas: 

1. Eight Paths - Initiation
2. Destroy the House of Ha'shem
3. Burn the Pyre
4. The Legion Marches On
5. Nameless Servants of Damnation
6. On Darkest Wings
7. Haeretic
8. Eight Spears
9. Blood Harvest

por Fabio Reis

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Lançamento: Crossed Crow - "Reap What We Sow" (2016) (EP)


A Crossed Crow lançou oficialmente neste 2 de dezembro, o seu primeiro EP intitulado "Reap What We Sow". O material foi gravado de forma totalmente independente e foi produzido pelos integrantes da banda. A arte da capa é de autoria do vocalista William Menezes, representa o homem destruindo a natureza e demonstrando total descaso com a vida animal, o progresso e o abuso dos recursos naturais trarão consequências devastadoras para a humanidade e poucos são os que realmente se importam com isso.

A musicalidade da banda é um Death Metal técnico e original, com influências que vão desde nomes clássicos como Grave, Obituary e Entombed, até grupos mais modernos e progressivos como Opeth. A Crossed Crow se diferencia da grande maioria das bandas do estilo e possui uma sonoridade forte e original, a cadência e o peso são suas principais marcas, assim como os riff e solos encaixados de maneira cirúrgica.

O grupo conta hoje com a seguinte formação:

William Menezes (vocal)
César Betioli (bateria)
Luccas Vasconcellos (baixo)
Gustavo Ferreira (guitarra)
Alessandro Yoshinaga (guitarra)

"Reap What We Sow" conta com as seguintes faixas:

1 - Welcome To...
2 - The Ghost Road 
3 -Unstoppable Cycle 
4 - Unfolding Paths 
5 - Abyss

O EP foi lançado digitalmente e você pode escutá-lo NA ÍNTEGRA através do nosso canal oficial no Youtube.:


Links relacionados:

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Lançamento: Testament - "Brotherhood Of The Snake" (2016)


2016 foi um ano em que o Thrash Metal apresentou lançamentos de um nível absurdo, um dos grandes destaques sem dúvidas é a grande fase que as bandas mais antigas e tradicionais vivem. Tivemos Anthrax, Megadeth, Destruction, Sodom, Death Angel e até mesmo o Exumer, apresentando os seus mais novos trabalhos, e que trabalhos! Todos com uma qualidade acima da média e demonstrando que os "velhinhos" ainda tem muita lenha pra queimar, sorte nossa.

Confirmando o bom momento do gênero, o Testament concebeu o conceitual "Brotherhood Of The Snake" e apesar das declarações dos guitarristas Alex Skolnick e Eric Peterson afirmando que o disco seria uma espécie de "Reign In Blood", o trabalho equilibra muito a pancadaria desenfreada com doses cavalares de melodia. Sendo assim, a comparação com o clássico do Slayer não se confirmou, porém isso não é nenhum demérito e o novo disco do quinteto californiano é certamente um dos melhores álbuns de Thrash do ano, o que não é pouco se somarmos a quantidade de ótimos registros lançados. 

Todas as faixas foram compostas por Peterson e apesar de Chuck Billy ter mencionado que as gravações foram tensas em diversas entrevistas, o resultado final de "Brotherhood Of The Snake" é surpreendente e mostra o velho Testament em uma forma invejável. A formação atual é praticamente uma seleção de músicos gabaritados e do alto escalão da música pesada, houve apenas uma troca de integrantes com relação ao último trabalho e um dos destaques deste novo petardo é justamente relacionado a essa troca. O baixista Greg Christian deu lugar ao monstruoso Steve DiGiorgio, que repete a cozinha insana do álbum "Individual Though Patterns" do Death, com o relógio humano Gene Hoglan nas baquetas.

Essa parte rítmica é tão fantástica que precisaríamos de uma resenha completa apenas pra analisar com precisão o que esses dois caras são capazes de fazer. Se não bastasse, o Testament ainda conta com o talento inquestionável do virtuoso guitarrista Alex Skolnick e a solidez de Eric Peterson, isso sem mencionar que Chuck Billy talvez viva o melhor momento de sua carreira e consegue alternar com precisão todas as suas técnicas vocais.


É claro que ter músicos tão espetaculares não é garantia de músicas agradáveis, mas aqui os caras desfilam toda a sua técnica de maneira muito natural e nos presenteiam com faixas matadoras. A veia mais agressiva e visceral é predominante no disco e em faixas como "Centuries Of Suffering", "Canna Business" e  "The Number Game", o grupo pisa no acelerador sem dó. Na desenfreada "Stronghold", a brutalidade é tanta que em alguns momentos, nota-se até mesmo alguns elementos de Death Metal. Ainda temos "Born In A Rut", "Neptune's Spear" e principalmente "Seven Seals" (o melhor refrão do trabalho), onde a cadência aparece para contrastar com a velocidade, nessas canções a banda se torna mais maleável e a recordação de álbuns como "Practice What You Preach" e "Souls Of Black" é inevitável. Nas faixas "Brotherhood Of The Snake", "The Pale King" e "Black Jack", a banda alterna partes ultra velozes e outras bem melódicas, trazendo ao disco uma variedade de ritmos incrível e enriquecendo demais a audição. 

A produção ficou mais uma vez a cargo de Andy Sneap e realmente o cara parece saber como atingir as timbragens exatas e equilibrar de maneira perfeita aquela sonoridade mais suja e característica do Thrash, com a limpidez e clareza das produções mais atuais. O resultado ficou bem satisfatório e é mais um grande trunfo a ser ressaltado no álbum.

A temática de "Brotherhood Of The Snake" faz menção a uma sociedade secreta (A Irmandade da Serpente) que supostamente existiu a mais de seis mil anos atrás e teve como papel renegar todas as religiões existentes, a Irmandade também é ligada a "reptilianos" e teorias da conspiração envolvendo alienígenas. Quase todas as músicas tem o tema ligado a este assunto, porém não contam uma história sequencial. A arte da capa é do artista Eliran Kantor, que também foi o responsável pela capa de "Dark Roots Of Earth" e é conhecido por seus trabalhos com Hatebreed, Soulfly e Kataklysm.

Mesmo com todos os acertos e pontos acima ressaltados, o novo registro não supera o disco anterior, considerado um novo clássico para muitos, em contrapartida, consegue ao menos se equiparar e não soar uma cópia ou uma sequência óbvia. "Brotherhood Of The Snake" é mais Thrash Metal, mais brutal e mesmo com toda a sua complexidade, é um disco mais simples, direto e cru que "Dark Roots Of Earth". O Testament mantém o alto padrão dos seus lançamentos e consegue aqui emplacar uma sequência que impõe respeito, confirmando o momento grandioso da banda e exaltando a capacidade criativa de um estilo que um dia ousaram blasfemar e decretar como morto, mero engano.






Integrantes:

Chuck Billy (vocal)
Eric Peterson (guitarra)
Alex Skolnick (guitarra) 
Steve DiGiorgio (baixo)
Gene Hoglan (bateria)

Faixas:

 1. Brotherhood of the Snake
 2. The Pale King
 3. Stronghold
 4. Seven Seals
 5. Born in a Rut
 6. Centuries of Suffering
 7. Neptune's Spear
 8. Black Jack
 9. Canna-Business
10. The Number Game

por Fabio Reis