quarta-feira, 12 de julho de 2017

Extravasion - "Origins Of Magma" (2017)

Independente

Mundo Metal [ Lançamento ]



 A República Francesa é um dos países preferidos pelos turistas, tanto por sua cultura quanto por sua arquitetura e culinária, sem esquecer, é claro, dos famosos perfumes. Sua carta de vinhos e champagnes, sempre magnífica, tem uma infinidade de apreciadores vindos de todos os cantos do mundo. A influência da França para com o Brasil, em se tratando de monumentos e grandes construções, é bastante vasta. Até mesmo o nosso vocabulário é recheado com dialetos vindos da terra de origem da Estátua da Liberdade. E o que dizer da “mão francesa”? Aquele apoio essencial para prateleiras e tranças, para barragens de ferro, e também para vigas e colunas? Engenharia, arquitetura, pratos típicos, bebidas, moda, dentre outras coisas, são influentes para o mundo todo. Não é a toa que a França vem a ser uma grande potência. 

Mergulhando país adentro, damos de cara com uma antiga província parisiense que após a Revolução recuperou seu nome. Estamos falando da Ilha de France, uma das 27 regiões administrativas francesas. Uma região que nos presenteia com mais uma banda da nova safra do Metal mundial - mais especificamente do Thrash Metal. E como quase todas as bandas dessa nova era da música pesada, a escola francesa detém uma tradição muito respeitada por fãs ao redor do mundo e chega com garra total, mostrando muita vontade de apresentar sua musicalidade com alvura e dedicação. O Extravasion abre o caminho com seu álbum de estreia mostrando que não existe essa de “o Metal morreu”. Muito pelo contrário, é o mais puro exemplo de como perdurará por anos a fio.

Para apresentar o Extravasion, embarcaremos no DeLorean e voltaremos um pouquinho no tempo, mais precisamente em 2013, data de fundação dos franceses, onde dois rapazes se juntaram para tocar o que de melhor sabiam e gostavam. Clément Berthou (baixo) e Baptiste Pernette (guitarra, ex- Sweetest Devilry) se reuniram para explorar o lado musical e trabalhar junto às suas influências e bandas prediletas. Em 2015 foi a vez de Emil Sir Grand-Duc (vocal) e Guillaume Pepin (bateria, ex-Dirty Milf, ex-Primitive Future, ex-Taï Phong, ex-Virran) se juntarem ao time. Com a formação completa, lançaram o primeiro registro oficial de forma independente, uma Demo que, inclusive, originou o nome do full deste ano, “Origins Of Magma”, contendo duas faixas: “Flames Of Industry” e a faixa-título. Ambas inclusas no novo álbum, mas com uma nova e melhorada roupagem.


O Extravasion criou sua própria identidade musical graças a riffs pesados e atmosféricos, bem como letras virulentas. Detentores de grande técnica, Berthou e sua trupe entregam uma dose excelente do que chamamos de Technical Thrash Metal, na qual os mesmos destacam essa vertente. De cara percebemos influências de grandes bandas russas como Aria e Aspid. Além disso, consta em seu vasto cardápio de ícones influentes, bandas como Megadeth, Testament, Atheist, Obliveon, Unleashed, Death, Vektor e Nuclear Assault, por exemplo. Isso trouxe um grande reconhecimento dos bangers locais até que o tão esperado álbum se tornasse obrigatório, tamanha a qualidade apresentada até aqui.

Um ano se passou depois da demo e logo cumprem com o esperado, afinal, a expectativa havia crescido com a passar do tempo. O Extravasion não decepcionou os fãs e entregou um primeiro álbum digno de primeiro álbum. Como dito acima, as duas faixas lançadas um ano antes entraram no set que conta com mais cinco músicas num total de sete faixas para ninguém botar defeito.

“Origins Of Magma” se inicia de forma misteriosa e distorcida, dando ênfase ao que está por vir. A intro “Castle” se destaca por exalar um certo tom de obscuridade e suspense e que ligará à faixa seguinte.

Os destaques do álbum ficam por conta das faixas mais conhecidas. “Flames Of Industry” que lembra bastante o russo Aspid com guitarras repletas de técnica e levadas extremamente inteligentes, e “Origins Of Magma” que mostra o poderio do contrabaixo em mais uma faixa de pura técnica, melodia e peso equilibradíssimos. Sem contar o vocal que segue a pegada Thrash demonstrando um controle total das cordas vocais. “Circle Of Life” com suas nuances Death e “Bankster” com seu Jazz inicial e bem inusitado abrindo a faixa para as guitarras extremamente velozes e sólidas entrarem em cena formam uma sequência bem forte para o álbum descrito. O alto teor de técnica e variação rítmica fica em evidência o tempo todo durante a audição, deixando aquela boa vontade de continuar ouvindo.
E ao citar tais características, vemos que “Consume” realmente não deixa a peteca cair e nem de longe traz a monotonidade que muitos álbuns costumam fazer no desfecho final. “La Nuit” é a música mais longa do ábum, ultrapassando a marca dos nove minutos, fechando o álbum sob a concepção de que podem ir muito mais longe.


Os temas de “Extravasion” são realmente diversificados, abordando desde fatos sobre consumo excessivo, abusos do sistema financeiro e Sci-Fi. Não se restringe somente aos padrões do Thrash Metal, fazendo experimentações, como na canção final, "La Nuit" que foi escrita em francês sendo inspirada pelo trabalho de Philippe Druillet, um artista local. O vocalista Emil fez algumas obras de arte para ilustrar todas as canções no encarte do álbum.

O que temos aqui é um início promissor, de uma banda que tem um caminho imenso pela frente e, nos próximos trabalhos, poderá nos mostrar muito mais sobre toda a sua condição musical, técnica e feeling. É uma banda que nos traz o que de melhor existe no Technical Thrash, com boas doses de Death Metal em suas composições. Estão em processo de composição para um próximo álbum e já demonstram vontade de tocar aqui no Brasil em breve. Se você é fã das influências citadas, não perca tempo e ouça sem medo.


Nota: 8,4

*Nota do site The Metal Club: 8.56

Formação:

Emil Sir Grand-Duc (Vocal)
Baptiste Pernette (Guitarra)
Clément Berthou (Baixo)
Guillaume Pepin (Bateria)

Faixas:

01. Castle
02. Flames Of Industry
03. Origins Of Magma
04. Circle Of Life
05. Bankster
06. Consume
07. La Nuit


Redigido por Stephan Giuliano​

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