quarta-feira, 12 de julho de 2017

Ex Deo - The Immortal Wars (2017)

Napalm Records

Mundo Metal [ Lançamento ]


Com a força de 37 poderosos elefantes africanos, Aníbal (Hannibal) marchou ao lado de mais de 40 mil de seus mais bravos homens, em uma jornada de mais de 2400 km para atravessar os Alpes e desafiar a supremacia de Roma em seu próprio território.

Essa pequena aula de historia é a premissa por onde se desenrola toda a trama abordada no mais novo lançamento das canadenses do Ex Deo, “The Immortal Wars”. Depois de pouco mais de quatro anos de espera, chega às lojas este mais novo trabalho e podemos finalmente conferir o sucessor do poderoso “Caligvla”(2012).

Para quem não conhece, a banda é na verdade um projeto paralelo de Maurizio Iacono (Kataklysm) e desde seus primeiros registros o grupo sempre buscou apresentar historias conceituais com base no antigo império romano.

Além de Maurizio, a banda é composta por todos os atuais membros do Kataklysm, mas com a adição do baixista Dano Apekian (Ashes Of Eden). Essa é talvez a maior diferença entre as bandas, já que diferente do que acontece no Kataklysm, no Ex Deo Maurizio apenas faz os vocais.

Analisando o álbum, “The Immortal Wars” é um típico álbum de Symphonic Death Metal, apesar da sonoridade por motivos óbvios, lembrar muito a do atual Kataklysm, o álbum tem uma identidade própria e são vários os momentos com melodias acústicas e vozes de coral, proporcionando um clima tão épico quanto a batalha retratada na temática das letras.


É bem verdade que os admiradores mais “xiitas” do Death Metal mais tradicional podem torcer o nariz pra um trabalho como “The Immortal Wars”, e de fato esse não é um disco visceral, e nem tem a intenção de o ser. Em contrapartida, os entusiastas de estilos mais “amenos” como Power Metal e Symphonic Metal podem vir a se apaixonar pela obra, que também é recomendada aos admiradores de discos conceituais.

"The Rise Of Hannibal" é um excelente exemplo do que o disco pode proporcionar para os ouvintes. O trabalho das guitarras imita o padrão de um batalhão marchando para a guerra, enquanto que a bateria se comporta como o rufar dos tambores. Os vocais de Maurizio Iacono têm uma rica profundidade, alternando momentos de cantos com falas narrativas e ajudando dessa forma, a reforçar esse clima de orgulho ao guerrear. 
Ao longo de todas as músicas há um ótimo uso de melodias sonoras e ritmos ardentes. Os elementos orquestrais vêm na forma de cantos épicos, além de instrumentos tradicionais como violino e piano. Estes momentos são emocionantes e agregam muito valor ao álbum.

A última faixa, "The Roman”, tem uma introdução fantástica, digna de ser trilha sonora de qualquer bom filme sobre o tema. Destaco também a parte em italiano que se encontra no meio da música, que reproduz um discurso motivador de guerra para incentivar as tropas romanas. Sem dúvidas, a melhor composição do álbum, não é atoa que essa faixa foi contemplada com um vídeo clipe oficial.

Um detalhe que geralmente não faço menção, mas que especialmente nesse álbum chamou a atenção, é a bela capa que o disco impõe, a pintura retratando um general romano no campo de batalha, ao lado de um dos elefantes de Aníbal é belíssima, bela escolha por parte da banda.

É impressionante a pesquisa que foi feita para este trabalho. Os caras tomaram uma pequena parte da história pré-imperial romana e criaram seu próprio conto épico, com partes climáticas e muito Metal de qualidade. Eu não só gostei do álbum, como também aprendi muito sobre a batalha entre Cartago e Roma, as chamadas “Guerras Púnicas”.


"The Immortal Wars" não é somente um ótimo álbum para qualquer fã de Symphonic Death Metal, mas também para quem gosta de um bom conto, dissertado em forma de música extrema, pesada e com o toque de genialidade de Maurizio Iacono.

Um lançamento triunfal de uma banda que eu realmente espero que nos surpreenda com muitas outras campanhas históricas retratadas nos seus futuros álbuns. 

Nota: 8.9

*Nota do site The Metal Club: 8.64

Formação:

Maurizio Iacono (vocal)
Dano Apekian (baixo)
J-F Dagenais (guitarra)
Stéphane Barbe (guitarra)
Oli Beaudoin (bateria)

Faixas:

01. “The Rise of Hannibal”
02. “Hispania (The Siege of Saguntum)”
03. “Crossing of the Alps”
04. “Suavetaurilia (Intermezzo)”
05. “Cato Major: Carthago Delenda Est!”
06. “Ad Victoriam (The Battle of Zama)”
07. “The Spoils of War”
08. “The Roman”


Redigido por Vitor Hugo Quatroque​

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